Cult essa idéia

 
 

Cultura/turismo: Além do Muro

 

 Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br

 

A mídia já fartamente noticiou as comemorações sobre a queda do muro mais famoso, depois das Muralhas Chinesas. Erguido graças à tensão política chamada de Guerra Fria, nos anos 60, o Muro de Berlim partiu a cidade em dois lados e também dividiu vidas, famílias, histórias e, por décadas, a mentalidade dos alemães.

A queda, tanto ideológica quanto material do muro, foi ovacionada por dias a fio e até hoje famílias inteiras estão tirando a diferença dos anos passados em separado. Entretanto, nossa missão hoje é falar não do passado triste e cinzento, que um dia foram duas Berlim. Viemos enaltecer o turismo na Berlim única e linda, com lugares sublimes, que fizeram mal em ficar tantos anos fora das principais rotas turísticas dos viajantes, do mundo inteiro. 

Há quem diga que você ir a Berlim e não comer salsicha, beber aquela boa cerveja e discutir cultura, nas principais praças berlinenses, é o mesmo que vir ao Rio e não ir à praia, não ouvir o samba e não beber também a sagrada cervejinha, esta sim universal e globalizada.

Berlim é uma festa para os olhos. Prédios modernos e transparentes convivem harmoniosamente com fachadas antigas, imponentes e restauradas. Ruas limpas enfeitiçam o povo brasileiro, acostumado com tanta incivilidade em suas próprias cidades. São 180 museus, cerca de 500 igrejas, mais de 5.000 bares (com cerca de 6.800 marcas de cervejas alemãs), 135 teatros e três Óperas, além dos parques, monumentos e galerias espalhados pela cidade.

 

 

 

 

Vários lugares tornaram-se patrimônios históricos pela Unesco, tamanha a relevância histórica ou simplesmente sua beleza germânica. Um exemplo são os palácios e Parques de Potsdam e Berlim. Com 500 hectares de parques e 150 edifícios, construídos entre 1730 e 1916, o complexo de Potsdam formam um todo artísticos, cuja natureza eclética reforça seu senso de originalidade. Ele se estende até o distrito de Berlim-Zehlendorf, com os palácios e parques enfileirados nas margens do rio Havel e do lago Glienicke.

Outro patrimônio preservado que deve ser visitado é o Museumsinsel (Ilha dos Museus). Os cinco museus, construídos entre 1824 e 1930, são a consolidação de um povo apaixonado por conhecimento. Eu, particularmente, amo os pensadores, músicos e filósofos alemães, como Niezsche e Bertodl Brecht.

Cada museu foi planejado de forma a estabelecer uma conexão orgânica com a arte que ele abriga. A importância de suas coleções – que acompanham o desenvolvimento das civilizações através das épocas – é aumentada pela qualidade urbana e arquitetônica das construções.   

Ainda no caminho dos museus, não deixe de ver o Pergamon Museum. Seu nome foi concebido em homenagem ao Altar de Pergamon (monumental templo grego de 180 a.c., presente no museu). O museu egípcio possui uma ampla coleção, inclusive a imagem de Nefertite, e conta a história do Egito. Vale lembrar que os alemães são profundos admiradores das culturas e mistérios de povos antigos.

Outro grande passeio que deve entrar em seu roteiro é a visita aos palácios preservados. Lá todos falam com os turistas, através de suas paredes e ornamentos, sobre séculos de opulência de antigos impérios.

- Schloss Sanssouci (Palácio de Sanssouci). Cheio de histórias, este palácio possui seis residências que pertenceram a reis. Por causa de seu enorme e agradável caminho, o passeio torna-se mais atrativo, e menos cansativo, se for feito de bicicleta ao invés de a pé.

- Schloss Charlottenburg (Palácio de Charlottenburg). Residência oficial dos governantes da Prússia, é grande e interessante. Aproveita-se melhor o passeio se a visita ao palácio for feita com tranquillidade.

 

A vida noturna em Berlim

 

Mudando o rumo cultural do turismo berlinense, no bairro de Prenzlauer Berg a vida noturna é parecida com a vida do pessoal do Leblon, sem parar. Lugar ideal para encontrar pubs badalados e interessantes. Agora, não é fácil conseguir um lugar para se sentar nos bares esfumaçados de Prenzlauer Berg. Mas é possível entrar em todos eles, tomar uma cerveja em pé e depois ir para um outro local.

Uma curiosidade em Berlim é que uma mesa ocupada nem sempre é uma mesa ocupada. Explica-se: na cidade, às vezes tão cheia de formalidades, é possível dividir uma mesa com pessoas que você jamais viu anteriormente. Se você entra em um bar e todas as mesas estão ocupadas, mas há cadeiras desocupadas em volta do local, não vacile, pegue seu copo de cerveja no balcão e sente-se onde houver lugar. Isso é comum na Alemanha. Dividir uma mesa de quatro lugares com pessoas desconhecidas não tira a privacidade de ninguém. No máximo, ninguém vai trocar palavras se não houver disposição.

Enfim, Berlim e a própria Alemanha são um passeio turístico imperdível por preservarem tão bem a história de seus povos. Não é um país receptivo como o nosso, devido a tantos conflitos mundiais, e tudo o mais pelo que já passou, pela desconfiança que às vezes ainda desperta em um ou outro cidadão ciente da existência (ainda) de nazistas, e até mesmo dos moradores com o chamado “orgulho germânico”. Mas, nós temos uma vantagem enquanto turistas. Eles amam as mulheres brasileiras e simpatizam bastante com os nativos da terra, que lhes deram jogadores geniais em times seus. Como Lúcio (ex- Bayern de Munique), Athirson (ex-Flamengo, atual Bayer Leverkusen), entre outros tantos que fazem a alegria da galera alemã.

É um passeio que agrada em cheio e faz esquecer o tanto de sofrimento causado pelo tal Muro...

Fonte: www.folha.uol.com.br 

 

 
 

As Fraternidades e o american way of life

 

 Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br

 

As tão popularizadas fraternidades americanas, que já eram populares por filmes como Porky’s (esse é para os amantes da década de 80) e American Pie, e sendo figurante constante em mais meia dúzia de filmes de Hollywood, tem uma criação tão curiosa quanto sua própria estrutura de funcionamento.

Na segunda metade do século XVIII estudantes universitários, para “classificar” seus heterogêneos grupos estudantis, os dividiram pelas aptidões de seus colegas. Surgiram diversas organizações como grupos literários, sociedades secretas (explicitado no filme Sociedade dos Poetas Mortos), times de futebol, clubes sociais, bem como fraternities (fraternidades), e estas últimas se constituíam em grupos fechados de estudantes, que residiam juntos em casas localizadas dentro ou na periferia dos campi e que, até hoje, podem ser identificadas por letras gregas nas suas fachadas.

 

As primeiras fraternidades eram apenas para estudantes do sexo masculino. Depois de alguns anos são fundadas as sororities (sóror significa irmã) para estudantes do sexo feminino. As várias fraternities e sororities, espalhadas por todo o país, formam o Greek system, ou seja, o sistema grego, que as une nacionalmente para que tenham maior organização. O sistema funciona como uma rede de apoio e contatos sociais, quase uma maçonaria juvenil com regras explícitas, algumas bizarras e muitas lendas. Mediante ele os estudantes contam com apresentações e/ou recomendações, que podem facilitar a busca de estágios, empregos, empréstimos e outras facilidades. Contam também com uma identidade que os diferencia.

Para pertencer a uma fraternity não basta pagar mensalidade, é preciso se candidatar e ser escolhido. Mas há também critérios de família, como algumas tradicionais fraternidades que elegem seus membros pela tradição de seus parentes que já pertenceram a elas. O candidato preenche uma ficha com fotografia, dados pessoais, e especificam as razões pelas quais elegeu tal fraternidade para pertencer. Quem escolhe os novos sócios são os antigos residentes. Não sem antes fazer uma bateria de trotes e “testes”, capazes de corar os estudantes veteranos da Unicamp que andam por aí matando um e outro novato...

 

 

 

A Phi Beta Kappa foi a primeira sociedade de cultura grega, fundada em 1776 no College of William and Mary. Até hoje ainda é uma sociedade literária, lugar para debates intelectuais. O sigilo e os rituais das fraternidades sociais modernas começaram com ela.

O interessante, como foi citado anteriormente, é que um inscrito que tenha alguém da família que pertence ou pertenceu a uma fraternity, possui chance maior de ser escolhido, graças ao legacy, ou seja, seu legado.

Existem alguns rituais referentes à passagem da condição de candidato a membro da organização, ou seja, brother (irmão). Ele deve enfrentar desafios que lhe são impostos para mostrar ser merecedor de fazer parte da organização. A cada um dos novos membros selecionados é designado um irmão mais velho, que já mora na residência, para orientar o novato em termos de adaptação à vida no college e na fraternity. Existe todo um ritual de acolhimento aos novos sócios.

Uma vez irmão, se é irmão por toda a vida. Que o digam Obama, Bill Clinton, Nicholas Cage, Sandra Bullock, entre outras tantas celebridades americanas O pertencer a uma fraternidade exige lealdade, pois a ligação com ela não se encerra com a obtenção do diploma do college (que aqui equivale ao nosso Curso Superior). Ela, de fato, continua e se deve expressar de várias maneiras, desde o apoio a obras sociais, a ajuda para a construção de residências universitárias para novos membros até o apoio financeiro ao college.

No Brasil, não há equivalentes para fraternidades e irmandades. Os grupos poderiam ser definidos como um misto de repúblicas e centros acadêmicos, mas nem de longe reproduzem a verdadeiras seitas que se tornaram certas fraternidades.

A série Greek, que é exibida no Universal Channel, tenta aproximar outros países e desmistificar o ambiente das fraternidades. Os grupos, como se apresenta na série, são sediados em mansões onde moram os integrantes mais antigos. As casas são palcos de festas, regadas a muito álcool e sexo (pelo menos é o que mostra a série de uma maneira bem leve).

Algumas fraternidades sociais são bem diferenciadas - existem as judaicas, cristãs, negras e até as gays. Além dessas, existem também as fraternidades profissionais, as acadêmicas e de serviços. Essas fraternidades são de escolas mistas. Dependendo do tipo, podem ser limitadas pela maior nota ou pela sua média.

Muitos ex-alunos permanecem ativos e envolvidos nas reuniões de sua fraternidade, voltando aos jogos de futebol e eventos de iniciação e agito. Alguns continuam dando dinheiro para os reparos na casa e outras necessidades da fraternidade.

Algumas representações políticas americanas, inclusive, são fortemente fundamentadas nas representações sócias que marcam perenemente os irmãos e irmãs das “Fraternidades”.

 
 

Turismo: Vivendo no exterior

 

 Carolina Andrade - Redatora  carol_andrade@hotmail.com 

 

Como professora de inglês, sempre que posso digo aos meus alunos como é importante ter uma vivência, mesmo que pequena, fora dos limites de nosso país. Não digo isso somente pela experiência de praticar o idioma que se está aprendendo. Mas, pela possibilidade de conhecer uma cultura diferente.

Quando se faz uma viagem para fora do Brasil, crescemos e amadurecemos. Primeiro pelo fato de estar longe das asas da família, segundo porque, se bem aproveitada, adquirimos muito conhecimento e voltamos com muita história pra contar.

Mas antes de viajar, é preciso tomar alguns cuidados. Ter mente aberta. Entender que você não está no seu país, as regras serão diferentes e você terá que obedecê-las. Saber, de antemão, o que pode e não pode fazer no lugar onde você está indo é muito importante. Muitas pessoas são mandadas de volta de programas de intercâmbio, justamente por não cumprirem regras bobas como não beber cerveja na rua, ou ter hora certa para voltar pra casa.

Tem que ter pique, pois a rotina do programa é puxada. Não tem moleza! Por isso, alguns programas de intercâmbio limitam a idade do intercambista para até 26 anos. Tem cursos com aulas durante todo o dia, todos os dias da semana. E ainda, existe um número fechado para faltas. Se não cumprir as regras, você volta sem o seu diploma.

Escolher um programa de intercâmbio é mais seguro do que viajar por conta própria. A não ser que você tenha amigos ou família vivendo no exterior. Hoje em dia existem milhares de possibilidade de estudo e trabalho fora do Brasil. Converse com os amigos, veja se eles indicam alguma agência que já tenham conhecimento. Escolher qualquer agência que anuncia um preço barato na internet também não é uma boa idéia. Geralmente as agências bem conceituadas promovem encontros no Brasil antes de viajar. Assim, você tem a oportunidade de conhecer o grupo de pessoas com quem viajará.

 

 

 

Esteja atento aos detalhes e procure saber tudo sobre sua viagem, antes de chegar lá. Pergunte sempre que tiver dúvidas. Não deixe de saber sobre as condições de moradia. Se for morar com família, procure ter fotos deles, saber como são e vivem. Se informe sobre o lugar onde vai morar, das opções de lazer, plano de saúde, enfim, mantenha-se informado.

E uma dica: mantenha a sua família, aqui no Brasil, informada de tudo o que está fazendo. Qualquer problema que aconteça, eles saberão onde você está, qual seu endereço ou telefone de contato.

Se você escolher um programa de trabalho, não se iluda. A maioria das oportunidades no exterior são subempregos. Você vai ser atendente de Mc Donald’s, diarista de hotel, garçonete de restaurante, babá de crianças. Dificilmente haverá propostas de trabalho com grandes chances de fazer carreira. Mas, isso não quer dizer que você possa ser destratado pelos empregadores ou ter péssimas condições de trabalho. Qualquer problema você deve comunicar a agência de intercâmbio, pois eles têm a obrigação de acompanhar o intercambista.  

 

Programas diferenciados

 

Já existem hoje programas que não só oferecem os empregos básicos, mas também oportunidades de se divertir enquanto trabalha. É o caso do programa de intercâmbio feito na Disney, em Orlando. Lá são abertas vagas de assistentes, vendedores, mantenedores e até para os próprios personagens do parque.

Existem também os programas em cruzeiros, para aqueles que gostam do mar e não ligam de dormir em cabines apertadas. O programa mais curioso que já vi, foi seleção de voluntários para cuidar de leões na África do Sul.

O preço desses intercâmbios varia muito. Depende do destino, do seu objetivo (trabalho ou estudo), se você vai ficar em casa de família ou em hotel, do tempo de estadia (4, 6 ou 12 meses). Mas as agências parcelam e fazem de tudo para não perder o cliente.

Os destinos mais procurados hoje em dia são: Estados Unidos, Canadá, Austrália e Londres. Todos os países de língua inglesa. No entanto, é importante ressaltar que o idioma é diferente de um lugar para o outro.  

Uma última dica. A maioria dos programas hoje beneficia os universitários. Os programas de férias, que duram geralmente 4 meses, só podem ser feitos por aqueles que estão no meio do curso superior.

 
 

“A lua e eeeu...”

 

 Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br

 

Não. Esta matéria, leitores atentos e antiguinhos, não se trata de uma homenagem ao cantor Cassiano (alguém se lembra dele?) criador de um sucesso relativo na década de 70 e  início de 80, cujo o tema entoava com muita melancolia: “mais um ano se passou, e nem sequer ouvi falar seu nome...” (tem gente de quem eu, particularmente, preferia não ouvir falar nunca mais... Mas eu não sou surda, graças ao Pai, né?).

Esta matéria é exatamente para comemorar (?) – “espetaculosaus” quae sera tamem - algo como Espetaculosas ainda que tardia! - a chegada do homem (norte-americano) na Lua. Pois é! Eles chegaram lá em 20 de julho de 1969. Não necessariamente nesta ordem. Ou não?  

 

 

 

 

 

Se eu tenho algum (!!!) leitor assíduo e que por acaso acompanha minhas matérias pretensiosamente cínicas e genuinamente mordazes, percebeu que sou um Edmundo. Explico. Existe uma crônica de Cecília Meirelles – salve mentora!- intitulada “Edmundo, o céptico”, onde o personagem principal, desde criancinha travessa, era um céptico.

Para quem não é muito hábil com esta língua portuguesa manjada, reformada e coroinha, não confunda “céptico” com aquela coisa horrenda que acontece com gente sadia que entra de pé quebrado no Getúlio Vargas e sai na gaveta pro IML – septicemia, infecção generalizada. Os cépticos (prefiro a grafia tradicional, sou uma boêmia que respeita a velha guarda) são pessoas que querem “ver para crer”, os tradicionais e populares São Tomés da vida, que não acreditam em qualquer ladainha, em qualquer “manga com leite”, em qualquer “o FH e o Collor derrubaram o Brasil”- se o presidente de vocês lesse (?) isto diria “Respeite a história política do Collor!” tal qual fez com seu amigo de infância Sarney...

Enfim, os Edmundos não aceitam tudo muito facilmente. E já que me pediram para falar sobre esta data histórica (!!!), cocei a cabeça e descobri mais um tema onde impera o Edmundo, não a Fernanda escritora.

Vamos aos fatos. A História, que é ciência e lida com fatos (muito embora, depois de 14 anos de formada na área e de exercício pleno da cidadania histórica, eu saiba que fatos são meros detalhes a serem manipulados, ocultados, contorcidos, distorcidos, ou apresentados da maneira que convém) e os fatos contam que nesta data, posterior a uma missão lunar enviada em 1968, intitulada de missão APOLO VIII, Buzz Aldrin, Michael Collins e Neil Armstrong (o cara que pisou na bola que é a Lua, parece) na missão batizada APOLO 11 chegaram, enfim, em solo Lunar, feito que seu antecessor e antagonista (ahn, tinha a Guerra Fria, mas me recuso a explicar, pergunta pro Dr. Google), o russo Yuri Gagarin (este sim, um cara que eu tenho certeza de sua chegada bem perto da Lua, até porquê – História, fatos – é registrado que ele ejetou seu banco antes de sair da órbita lunar e reentrar na órbita terrestre, ou seja, preferia mil vezes viver no mundo da Lua, sacou?) tinha iniciado em 1961.  

 

 

 

Pois bem. Se você, respeitado leitor meu, além de minha chefa, lê a cada mês estas prolixidades que escrevo, e já perguntou para o Dr. acima citado o que foi Guerra Fria, vai entender meu cepticismo .   

Entre outras coisas, há a rivalidade norte-americana. De acordo com o que se constata na história recente dos EUA/USA (repararam? Até a sigla desfavorece, o país é narcisista e abUSAdo em inglês e em português...), os estadunidenses mentem. E muito. Não tanto seu povo, que acredita em muita coisa e ainda se alista para ir às guerras que o país impõe a terceiros, como quem vai às compras daquela preciosa bolsa Chanel, que está em liquidação e precisa ser comprada antes que a cafona da sua vizinha compre a última peça. Mas, todos aqueles que possuem investimentos no país ou estão em franca atividade na política mundial (por que, vamu combiná(sic), se você é político naquelas terras que são um país perto do Canadá a projeção da sua imagem é maior no planeta do que a daquela atriz globense, quando arruma um novo filho para criar e sustentar).

            Então, uma mentirinha a mais, uma mentirinha a menos, dentro do contexto tenso da Guerra Fria – putz, ainda rolava a Guerra do Vietnã, onde aquele povinho baixa renda daquela terra cheia de bombas subterrâneas e armadilhas de bambu, “tava” aplicando a maior surra nos soldados paz & amor da terra do Tio Sam, que estavam armados até os dentes siso (mas que não indicavam o juízo daquela gente fardada) e este tipo de notícia não era exatamente aquela com que o governo americano contava para amedrontar o resto do mundo – era perfeitamente admissível para tornar as coisas mais seguras aos EUA, além de atrair parceiros e investidores de todas as partes do mundo interessados em dominar o espaço Lunar.

 

Ela é linda...

 

Eu, particularmente, sou uma criatura lunar, vivendo entre estranhos seres que apreciam sol, sal e frutos do mar com barba... Mas não sei não. David Bowie e diversos outros artistas cantaram a Lua de modos diversos (Bowie se destacou por ser o cara que escreveu a enigmática “Starman”, em homenagem aos homens que pisaram na Lua – aqui. A versão é “Astronauta de mármore”, do grupo gaúcho Nenhum de Nós. Aquele que foi uma espécie de Los Hermanos de sua época, já que ninguém aguentava mais sua “Camila-aaaa”, igual a... você - sabe - quem).

Eu não sou das que acreditam piamente que nunca se chegou à Lua, mas que houve uma data posterior àquela que foi divulgada para a história mundial, ahn, isto houve sim. Existe um site, como tantos outros, que expõe algumas incongruências nos fatos e fotos. Ah, você pode estar pensando, e você, Fernanda, tão crítica e espertinha acredita em tanta coisa que nestes sites demonstra ser apenas um movimento de resistência partidário-esquerdista-vernelhista-reacionário-espinhento- adolecencista de uns vários... Tá bom, mas lê aí, http://www.afraudedoseculo.com.br/, e procura outros similares que você vai se dar o que conhecemos como o “privilégio da dúvida”, ou, em termo jurídico preferido de uma ávida fã de séries como Law and Order, “dúvida razoável”. Não me peçam mais detalhes de inconstâncias, pois esta singela matéria já extrapolou mil palavras, para minha chefa editar será um sufoco daqueles...

Então, o que importa, para mim, é que sempre será “a lua e nós...”, e se é para celebrar alguma data ligada a ela... Celebremos!  

 
 

Turismo: Ahh... Paris! A terra do romance e do luxo, certo? Uhm... Por pouco, quase não foi!

 

 Carolina Andrade - Redatora  carol_andrade@hotmail.com 

 

A primeira impressão que tivemos de Paris foi a pior possível. Já tínhamos passado pela Alemanha, onde tudo é limpo e com cara de novo, e em Paris tudo era velho, escuro, havia pichações em muros, me lembrava o Brasil em alguma coisa. O metrô e o trem, a neve que caía forte, as ruas escorregadias, o nosso cansaço da viagem longa, o céu nublado, tudo parecia desmanchar a imagem linda que tínhamos da cidade. Para completar, encaramos a má vontade dos recepcionistas do hotel e da vendedora do ticket para o transporte, que nos fez pagar duas vezes o valor da passagem. Pagamos caro por não falar tão bem o francês. Ou quase nada!

Mas, felizmente, depois de comer o pior crepe da França para matar a fome e de cochilar um pouco para recarregar as baterias, fomos jantar com amigas na Champs Élysées. E aí tudo mudou. A neve tinha parado, o metrô que era estranho passou a ser cultural.

Pegamos a linha amarela, a mais antiga da Europa, que passa por pontos como o Arco do Triunfo e o Louvre. Descemos na estação George V sem saber o que iríamos encontrar. E quando estávamos nos últimos degraus da escada (haja pernas!), tivemos a visão mais linda e sentimos pela primeira vez o clima francês. Eram as árvores iluminadas da Champs Élysées. Elas brilhavam em azul e branco, e a extensão da avenida era enorme. Terminei o último degrau da escada, olhei em frente e lá estava o arco do triunfo. “Estamos em Paris!”, eu e minha irmã dissemos quase juntas!

 

 

 Arco do Triunfo - Champs Élysée

 

Daí em diante foi só alegria. Andar pela Champs Élysées, mesmo sem dinheiro, é um luxo só. As calçadas são largas e as vitrines das lojas são maravilhosas, tais quais a Regent Street, em Londres. Jantamos num restaurante italiano chamado Bistrô Romain e comemos o que pra nós vai sempre ser o melhor Creme Brulee da frança.

Nessa mesma noite, depois do jantar, voltamos para o hotel onde planejamos rapidamente o que faríamos no dia seguinte. Afinal, eram apenas mais dois dias em Paris. Tínhamos que ser estratégicas. 

 

O primeiro dia!

 

Depois de um café da manhã delicioso, com panquecas, queijos e manteigas francesas, fomos para a Sacré Coeur, a igreja do Sagrado Coração, que fica no alto do bairro de Montmartre. Para chegar nela você tem que subir uma escadaria fora do comum, ou pegar um elevador que mais parece um bondinho. Com neve e escorregando, não dá pra subir a pé, certo?! Como nosso ticket do transporte pagava a entrada do bondinho, subimos.  

 

 

 Vista da Sacré Coeur

 

 

A basílica é maravilhosa, por dentro e por fora. A vista de Paris, lá de cima, também é incrível. Não é permitido tirar fotos no interior da igreja, mas conseguimos, discretamente, gravar o áudio das freiras cantando durante a missa. Celestial!

Da basílica, descemos algumas ruazinhas para pegar o metrô e andar mais uma, ou duas estações, a caminho do Moulin Rouge. Tínhamos que pelo menos ver o teatro. O espetáculo custava 90 euros pra cada uma, no assento mais barato. Então ficou para uma próxima. Mas, não deixamos de comprar suvenirs na lojinha ao lado do teatro.

 

 

 Moulin Rouge

 

 

Almoçamos por lá mesmo e partimos em direção a outra igreja, a famosa Catedral de Notre Dame. A arquitetura é totalmente diferente da Sacré Coeur, mas é tão maravilhosa quanto. A quantidade de turistas também é grande e obviamente encontramos brasileiros. Nessa hora, são fotos pra todo lado, e acabamos trocando ideia com pessoas de várias partes do mundo.

A Notre Dame é a maior igreja que vimos em toda a viagem. Ao contrário da Sacré Coeur, pudemos tirar fotos dentro da Catedral. O interessante das duas igrejas é que ambas tem um altar central grande, com os bancos à frente, mas em volta existem corredores que levam a outros pequenos altares e capelas. A mais impressionante delas, em minha opinião, é a capela de Nossa Senhora, logo atrás do altar da Notre Dame.

 

 

 Notre Dame

 

 

Uma dica interessante é visitar a área paga da Notre Dame, onde estão expostos “riquezas da igreja”. São apenas 3 euros e podemos ver ostensórios de ouro e brilhante, roupas de Papas, peças usadas nas cerimônias, entre outras coisas. Muito interessante!

Por fim, depois de andar muito, era hora de ir pra Champs Élysées fazer compras e jantar.

 
 

Turismo: parte 2

 

O segundo dia!

Por Carolina Andrade

 

Em Paris tudo é distante, nosso roteiro no primeiro dia valeu muito porque conseguimos fazer coisas perto uma das outras. No segundo dia, nossa primeira parada foi a Torre Eiffel. Demos muita sorte. O céu estava azul e o sol brilhando. Porém, um gelo.

 

 

 A Torre 

 

 

Ficamos esperando pouco mais de 30 minutos para subir apenas até o 1º andar da torre, por conta da neve e manutenção. Mas era suficiente para sentir muito frio. Não havia nenhum café aberto lá em cima, então apreciamos a vista, tiramos muitas fotos e descemos para tirar mais lá embaixo e partir para nosso segundo ponto do dia, talvez o mais importante para nós, o Louvre.

Não estou desmerecendo a torre. Ela é, sem dúvida, muito bonita, muito alta e um símbolo de poder na França. É possível ver o holofote que fica no alto dela, brilhar a noite em diversos pontos da cidade. Só para gente não esquecer que ela está lá. Mas, mais do que a torre, uma coisa que me emocionou muito foi ver o rio Senna. Lá de cima, conseguimos ver os contornos do rio e as várias pontezinhas que o cortam.

 

 

 Estudantes dentro do Louvre, deu vontade de estudar também

 

 

Enfim chegamos ao Louvre. Reservamos a tarde toda para ele, pois sabíamos que demoraria. E vale a pena! Na grande área que abriga o Louvre vemos o seguinte: são três prédios enormes e clássicos que se encontram formando uma letra “C”. No meio dos prédios existe um pátio com fontes e a grande pirâmide de vidro, que se tornou a entrada principal para o museu. Lembram-se do Código Da Vinci?

Entrando na pirâmide, descemos as escadas e vemos um saguão (como se fosse um piso subsolo) que dá acesso a todos os prédios do museu. Não existem guichês com vendedores para comprar a entrada. É tudo feito em máquinas, como num metrô. Tem áreas do museu que visitamos e que ninguém nos pediu o ticket. Mas todos o compram direitinho, mesmo sem a fiscalização. Ponto pros Europeus e para os turistas que respeitam a lei.

Passamos quatro horas lá dentro. Vimos obras famosas como a Monalisa. Mas também nos encantamos com esculturas e pinturas por todos os lados. O teto do Louvre, que antes era um palácio, é uma obra de arte por si só. Cada cômodo um teto diferente. Impressionante!

 

 

 Dentro do Louvre, apartamento do Napoleão

 

 

Ao contrário do que eu imaginava, é possível fotografar, filmar e até tocar nas obras. O que torna o museu muito mais interessante. Uma área que eu não conhecia e que agora aviso a todos para visitarem, é uma parte que eles chamam de “Apartamentos do Napoleão”. É um pedaço do que restou da casa do Napoleão que, em algum momento, foi dentro do que hoje é o Louvre.  Maravilhoso!

 

Cuidados e curiosidades:

 

- Em busca de uma refeição mais em conta, olhávamos o cardápio na porta dos restaurantes e lanchonetes, mas sempre dando mais atenção ao prato do que a bebida. Numa dessas, pedimos uma pizza (muito boa) que era barata, mas o refrigerante saiu a 5 euros uma garrafinha. E nós tínhamos bebido três. Vacilo!

- Cada ticket para o Louvre custou 9 euros. Compara com o refrigerante!

- Comprar o serviço de internet do hotel vale a pena. Eram 10 euros por 3 horas de uso, que podiam ser interrompidos. Usamos a net para acessar o Google Map e pegar localizações, além de nos comunicar com a família.

- É sempre bom iniciar uma conversa em francês e depois passá-la para o inglês. Eles vão te receber melhor. É fácil dizer “Bonjour” ou “Excuse moi”.

- Nossos recepcionistas eram tão chatos que nem boa viagem, na hora de ir embora, eles desejaram.

 
 

Cultura: “O último tango em Paris”

 

 Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br

 

           Ahn, La vie est belle, La vie est rose... Já dizia aquela antiga canção. Tudo o que vem até nós com a mínima referência francesa, afeta uma memória afetiva que ninguém sabe exatamente o motivo, um “je ne sais quoi” (“não sei bem por que, ou como”), que nos faz viajar na imaginação pela Torre mais famosa do mundo, seja por um aroma magnifiqueé de parfum français, seja pela letra daquela bela chanson que diz sussurradamente “não me deixes, não me deixes, não me deixes” (“Ne me quitte pas”),  ou qualquer outra referência gaulesa a esta terra tão miticamente romântica, culturalmente bela e indescritivelmente enchanté (“Encantadora, encantada”).

A França é talvez uns dos únicos, senão o ÚNICO país, onde os homens exageram no romantismo sem medo de serem rotulados de gays. País do romance, da beauté, de Chanel, Cacharel, Saint-Laurent, Paco Rabanne, Dior, perfumes e roupas ma-ra, que nos deu a L’Oréal, a Citroën, o Carrefour, o croissant e etceterá. A França também nos brindou com algumas invasões territoriais, dos séculos XV até XVII, que possivelmente justifiquem este tal de ano França-Brasil (desculpe, chefa, eu avisei que iria avisar ao povo da verdade meio “Código Da Vinci” por trás desta fanfarronice) e também (particularmente o que eu mais AAAAMO) com o cinema francês.

            A Nouvelle vague foi um movimento artístico do cinema francês que se insere no movimento contestador e próprio dos anos sessenta. No entanto, a expressão foi lançada por Françoise Giroud, em 1958, na revista L’Express ao fazer referência a novos cineastas franceses. Sem grande apoio financeiro, os primeiros filmes conotados com esta expressão eram caracterizados pela juventude dos seus autores, unidos por uma vontade comum de transgredir as regras normalmente aceites para o cinema mais comercial. Hoje, virou meio que moda o cineasta filmar e dizer que sua obra tem algo de “nouvelle vague”. Ponto pra França!

            Eu até perdoo a França pelas invasões quando vejo filmes como O Corte, O Closet, Este obscuro objeto do Desejo, Meu melhor amigo, O fabuloso destino de Amélie Poulain, Maria Antonietta, Asterix, Je Vous Salue Marie, As diabólicas, A bela da Tarde, só para citar algumas preciosidades.

Ver nomes como Daniel Auteill interpretando o obsessivo chefe de família, que sai matando um a um os candidatos a uma vaga em grande empresa, e por quem de certo modo nutrimos simpatia, só não é melhor que ver este mesmo ator dividindo a bola com o Asterix e o “Cyrano de Bergerac” mais famoso do mundo, que atende pelo nome de Gerárd Depardieu e trabalha como colega de trabalho de Auteill, em outro filme mordaz sobre uma sociedade supostamente inclusiva, mas homofóbica até a raiz, como a nossa, atualmente. Não, não vou identificar os filmes propositalmente, para que você, leitor atento, se interesse e procure correndo, estas atuações tão particulares.

 Daniel Auteill / Depardieu

            Eu ouvi um personagem em uma série televisiva um dia dizer que, o cinema francês era chato porque só mostrava a vida real e alimentava o sofrimento humano com muito carinho. E não pude conter um riso complacente – é a mais pura verdade. Os franceses, até quando querem ser inventivos e não autobiográficos (François Truffant, um dos inúmeros diretores franceses que admiro, é uma espécie de Glauber Rocha atormentado, não acreditava no maniqueísmo do bom e do mal, todos eram seres humanos) são sofridos, intimistas, peculiares e demonstram a vida do jeito que é, sim.

Até porquê, convenhamos, esta coisa de TODA A HORA o mundo EUA (é, já que quando acontecem coisas extraordinárias, para o bem e para o mal, os EUA esquecem que são apenas UM país no continente americano e acabam levando para as telas filmes improváveis como Fim dos tempos ou o O dia depois do amanhã) ficar sendo destruído e acabar salvando o resto do universo é um pé no saco, e nada melhor do que ver uma mulher linda como Catherine Deneuve, que chega a dar raiva de tão bela, discreta e elegante, traindo o marido como uma simples mortal e voltando para seu doce lar ao fim da tarde.  

 La Deneveu   

            E já que elogiei o quesito superficial mais adorável, cujos franceses veneram, que é a beleza, como não falar de Isabelle Adjani, insubstituível em A rainha Margot, na década de 90. Ou da covardia que uma mulher como Carole Bouquet faz, com mulheres comuns como nós, simples mortais, sendo linda cada vez mais ao longo dos anos?        

   Isabelle Adjani e Carole Bouquet

            Claro que a natureza não foi generosa, e nem será, com todas as belas ao mesmo tempo. Sim, estamos falando dela mesma, o furacão Brigite Bardot, que prova também que podem mulheres belas ficarem a visão do inferno quando querem... Só quando querem! Duvidam? Chequem só:

            O cinema francês tem consciência histórica, não grava qualquer historieta apenas pela bilheteria (reza a lenda que um dos diretores mais cabeças do universo cinematográfico francês, que atende pelo nome de Jean-Luc Godart, foi avisado que a igreja católica iria boicotar com seus fiéis aquele que prometia ser o filme mais herege e polêmico de todos os tempos, Je vous salue, Marie – onde uma paródia com a vida de Cristo, mas não uma paródia qualquer, uma paródia humana, plausível e adaptada para a sociedade da década de 80, de uma mãe solteira que come o pão que Deus torrou demais no forno até chegar a algum tipo de redenção – e ainda assim, não mudou uma linha sequer do que pretendia filmar. E mesmo seus diretores mais chegados ao universo hollywoodiano, como Luc Besson (dirigiu o cara mais espetacular para ser o Dr. House depois do Hugh Laurie, claro – o ator Jean Reno, em O profissional, e que até quis ganhar um dindim filmando películas como Nikita, Joana D’Arc e o Quinto Elemento) são bastante pessoais em suas direções e acabam imprimindo tanto esta herança cultural francesa, que no fim das contas se importam com a mensagem, e não com cenas impactantes, apenas para pagar peitinho, nem sexo gratuito fora do contexto, nem violência exagerada, para dar uma bilheteria vultosa sem ao menos se saber muito o motivo.

Um filme francês até pode virar um blockbuster (como foi o caso do que batiza esta matéria, e virou ícone de uma geração) mas nunca é concebido e gravado com esta intenção.

 Jean Reno

            Eles, os franceses, conscientes de que seus filmes e diretores (tenho que encurtar, então cito alguns atores e atrizes franceses de todos os tempos, como Vincent Cassel, Alain Delon – Deus, o que é este homem hoje sessentão? - Anouk Aimée,Annie Girardot, Alain Resnais, Jean-Paul Belmondo, Carole Bouquet, Maurice Chevalier, Isabelle Hupert,Christopher Lambert, Yves Montant, Michel Serraut, Juliette Binoche, Audrey Tatou, Olivier Martinez – outro meu-Deus-do-Céu - Emanuelle Beàrt, Irene Jacob, Eva Green, Krzysztof Kieslowski - diretor polonês que filmou uma trilogia fantástica na década de 80 baseada nas cores da bandeira francesa e em seu lema principal histórico-, Fanny Ardant, Simone Signoret) criara sua própria versão do Oscar, para valorizar este que é um tipo de cinema conceitual, pessoal, realista e triste, essencialmente triste. Nem sempre existem finais felizes nos filmes, para nos lembrar que a vida é isto aí mesmo. Nem sempre o mocinho vence no final e casa com a mais bonita.

 Alain Delon, hoje e ontem- quem está melhor? 

 Olivier Martinez- Em Swat, ele era o vilão... ai...

            Enfim, se você ainda acredita na tal lenda urbana de “Ano da França no Brasil”, ao menos aproveite e tente entender Este obscuro objeto do desejo que é para mim, como para alguns, o cinema francês.

 
 

Cultura: “Noivo neurótico, noiva nervosa”

 

 Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br

 

            Ai, namorado,noivado, casamento... Parece todo um ritual do tempo da vovó, né? ERRADO! Noivado, então parece papo de outro mundo. Um mundo daqueles onde tradição, aliança, mão na coisa e coisa na mão, não existem mais. Hoje em dia é só “ficar”, "dar" e ter um “anelzinho de compromisso” (vale aliança vendida na Avon), o resto (que resto?) se encaixa (só se for na caixa, pra sempre fechado...)

 

Você sabia?

 

            A partir do século XV, nasceu a crença de que no anular da mão esquerda, passa uma veia que vai direto ao coração, e que a forma circular do anel, sem começo nem fim, seria um prenúncio da continuidade do amor, lealdade e devoção, ao longo da vida do casal. As alianças, como um círculo, envolvendo o dedo irrigado por uma artéria que vai direto ao coração, representam a união do casal?   

 

O pai da noiva é quem escolhia o noivo

             Casamento, ANTIGAMENTE, era coisa decidida pelos pais. Esta ainda é a regra mais fiel do casamento judaico. O noivado tem de agradar ao pai da noiva ou noivo. O que pesava muito, além do noivo ter que conhecer o Talmud ou o Torá, era a descendência familiar. Seus antecedentes, se eram pessoas honestas, se praticavam boas ações. Sem dote ninguém casava, porque era a partir do dote que o noivo começava a luta pela sobrevivência da família.   

 

 

Casamento? Só entre iguais! 

 

             O casamento mais comentado, e que tem causado divisão de opiniões, é o indiano. Primeiro porque está no horário nobre, segundo porque esse é o tipo de casamento que dificilmente seria realizado no Brasil: a noiva e o noivo não se conhecem. Nadinha de nada, só se verão no dia da cerimônia e devem pautar pelo respeito e pudor, senão nada de casamento.  

 

 

 

O noivado é significado de maturidade

              Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em casamento. Os acertos normalmente são feitos pelos pais dos noivos, que decidem unir suas famílias. O casamento é uma das tradições mais preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da raça, por isso o casamento com os não ciganos não é permitido em hipótese alguma. Quando isso acontece a pessoa é excluída do grupo (embora um cigano possa casar-se com uma gadjí, isto é, uma mulher não cigana, a qual deverá porém submeter-se às regras e às tradições ciganas).   

 

 

Um anel de brilhantes significa o amor eterno 

 

              Para os egípcios, que começam a presentear suas noivas já na hora de selar o compromisso, as jóias que a mulher recebe no noivado e durante sua vida de casada é, de certa forma, uma "poupança" que ela vai fazendo ao longo da vida, para enfrentar algum revés. A cerimônia chamada Nangchang, é a cerimônia onde o compromisso formal acontece, é presidida por um lama ou um rimpoche. Depois disto, uma baita festa é oferecida aos parentes e amigos pelo compromisso assumido.  

 
 

Cultura: parte 2

 

Vocês sabiam...

 

Por Fernanda Barbosa

 

 

               Que a cerimônia de casamento nasceu na Roma antiga? Todo esse ritual da noiva se vestir especialmente para a cerimônia, veio de lá e virou uma tradição. Foi em Roma ainda que aconteceram as primeiras uniões de direito e a liberdade da mulher casar por sua livre vontade.

 

 

                O vestido branco para o casamento, que foi adotada em todo mundo, veio da Inglaterra, através da rainha Vitória em sua união com o primo, príncipe Albert? Sabia que foi a rainha quem o pediu em casamento? Pois, é! Naquela época não era permitido fazer um pedido desses a uma rainha, então, a rainha não teve outra alternativa, a não ser ela mesma pedir o príncipe em casamento. O mais romântico da história da rainha Vitória e do príncipe Albert é que, ela o pediu em casamento porque o amava, o que não era costume na época, onde os casamentos eram sempre arranjados pelas famílias e o amor era o que menos importava.

               Triste mesmo foi ver o noivado de Diana e Charles, que começou com um contos de fadas, mas que o mundo viria a saber que nada mais era de que um destes casamentos arranjados pela aristocracia inglesa, e que terminou embalado ao som (regravado – a gravação original era para Marylin Monroe) de “Candle in the Wind”, entoada por Elton John nos funerais destes que o mundo conhece por Lady Di.

 

 

               A noiva chinesa, segundo a tradição, escolhia para suas damas de honra, as moças mais feias do lugar, com o fim de realçar a sua própria beleza. A roupa da noiva geralmente é de cor vermelha, tais como os convites de casamento, as caixinhas das lembranças, e até os envelopes das ofertas em dinheiro. Aliás, vermelho devia ser de longe a cor favorita de outro noivo famoso da história: a mãe dele se chamava Agripina e conseguiu o noivado do filhote, aos 12 anos, com Otávia, filha de 8 anos de seu tio e imperador Cláudio... sim! Estamos falando do piromaníaco Nero!!

               Na Ilha de Formosa, na cerimônia nupcial, o rapaz leva um feixe de lenha à casa da moça e deixa-o defronte a porta, repetindo o presente até completar o vigésimo feixe. Se, na manhã seguinte o feixe tiver sido recolhido, isso significa que o rapaz foi aceito e que os preparativos para as bodas devem ser iniciados. Na cerimônia nupcial, o noivo e a noiva sentam-se de costas um para o outro. Executam-se danças e após a realização de diversos ritos, faz-se um pequeno corte na perna de ambos, a fim de misturar-lhes o sangue.

               O noivado de um dos casais mais famosos da ficção mundial, Mr. Big e Carrie (da extinta série Sex and The City, interpretados pelos atores Chris Noth e Sarah Jessica Parker), parecia uma sucessão de feixes, um após outro, deixados na casa da Carrie. Pois ela recolhia, um após o outro. E ele, só vai deixar para se casar quando ela sentar-se “literalmente” de costas para ele, no filme baseado na série. E, após muita desventura... tchan, tchan, tchan, tchan! Casam! Com feixe, com paus e pedras, e com um closet divinérrimo!

 

 

               A tradição pagã de "Pular a Vassoura", na qual o noivo e a noiva pulam juntos por cima do cabo da vassoura é uma antiga forma de cerimônia comum de casamento, praticada em certas regiões da Escócia, Dinamarca e China, e muito popular entre os ciganos. O Pulo da Vassoura é realizado ao término do Ritual de Compromisso. E para outro casal, amaríssimo nosso da ficção, este seria um ritual prá lá de normal. Claro! Estamos falando dos eternos noivos Rui e Vani, os noivos mais adorados, despudorados e normais da televisão brasileira, interpretados por Fernanda Torres e Luis Fernando Guimarães, da também extinta série Os normais. “Pular a vassoura” para simbolizar compromisso é normal!!

 

 

               Agora, lance de gênio mesmo foi o noivado de Jacó, Lia e Ruth, eternizado neste soneto de Camões, onde o pai das moças tinha garantido um genro escravo para chamar de seu!


Sete anos de pastor Jacó servia

Labão, pai de Raquel serrana bela,

Mas não servia ao pai, servia a ela,

Que a ela só por prêmio pretendia.

Os dias na esperança de um só dia

Passava, contentando-se com vê-la:

Porém o pai usando de cautela,

Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos

Assim lhe era negada a sua pastora,

Como se a não tivera merecida,

Começou a servir outros sete anos,

Dizendo: Mais servira, se não fora

Para tão longo amor tão curta a vida.

Observação: ele deu a outra irmã primeiro, pois era costumes do povos casar primeiro a mais velha para ela não ficar encalhada...ai!

 

                 Bem fez o Kafka, que noivou 2 vezes e escapou ileso da celebração de um casamento...ufa!


Para saber mais : http://super.abril.com.br/superarquivo/1996/conteudo_34229.shtml

 
 

Turismo: Enfim, sós!

 

 Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br  

 

              Pensar nos mínimos detalhes, para que a festa de casamento fique perfeita, é uma tarefa cansativa, que requer muita previsão dos noivos. Desde a etapa de juntar documentos, para a parte civil, até a distribuição dos convites, a peleja só termina no “enfim sós”. Mas, se o planejamento da lua de mel for tão criterioso quanto ao da festa, o stress dos preparativos matrimoniais podem ser recompensados. Para tanto, escolher um lugar romântico é o primeiro passo rumo à lua de mel.

              Há lugares mundialmente consagrados para se desfrutar esse momento a dois, como Veneza, Roma, Paris e Madri. Mas, não é preciso ir tão longe com o intuito de buscar um recanto paradisíaco, que se encaixe em ocasião tão especial. No Brasil, há lindas praias, como as do Nordeste, que são disputadíssimas pelos recém-casados. Porto de Galinhas, por exemplo, eleita pela 6ªvez consecutiva, pela revista Viagem e Turismo, como a praia mais linda do Brasil, está entre as mais cotadas.

 

 Porto de Galinhas 

 

              Localizado a 60 quilômetros de Recife, o balneário Porto de Galinhas fica no município de Ipojuca. Dispõe de uma excelente infraestrutura de hotéis, chalés, pousadas e casas de veraneio. São 18 km de coqueirais e inúmeras piscinas naturais, localizadas no centro da vila de pescadores. As principais pousadas estão nessa praia.

              Os bares e restaurantes em Porto de Galinhas oferecem comidas típicas da região, em especial frutos do mar. Os pratos que levam camarão são muito apreciados, como a moqueca e a caldeirada. Depois de degustarem essas e outras delícias afrodisíacas, é recomendável aproveitar para desgastar o excesso no arrasta-pé dos shows de forró, espalhados pelos quatro cantos do balneário nordestino.

              Viajar para o sul do Brasil é outra opção para lua de mel. Na Serra Gaúcha, além do privilégio que a beleza natural da região oferece aos “pombinhos”, em dias de frio, fazer fondue, acompanhado de um vinho tinto, é convidativo ao aconchego, que só termina com um bom café colonial. Canela e Gramado são as cidades mais procuradas para essa ocasião.

 

 Canela 

 

              Canela é conhecida como Região das Hortênsias, mas o nome da cidade foi inspirado na árvore que servia de ponto de encontro para antigos tropeiros. Eles faziam parada obrigatória no lugar, hoje conhecido como Praça João Corrêa. Além da originalidade da história de Canela, a cidade oferece aos turistas o espetáculo deslumbrante das quedas de água e dos parques com vegetação nativa. Assim, os recém-casados entram no clima do lugar e aproveitam o ritmo calliente do coração, para assistir ao Festival de Dança e ao famoso Festival Internacional de Bonecos.

 

 Quedas D'água em Canela

 

               A exemplo de Canela, a história de Gramado conta que, tropeiros, imigrantes alemães e italianos paravam em um campo gramado e macio para um repouso, após longas caminhadas. Esse gramado, segundo alguns, foi o responsável pelo nome da cidade, que concentra muitos parques bem cuidados e floridos. Não há nada mais romântico do que passear às margens do Lago Negro, circundado por hortênsias, ou experimentar a emoção de ver a Cascata dos Narcisos e a Cascata Véu de Noiva, com quedas de água de 20 metros. A cidade é internacionalmente famosa pelo Festival de Cinema de Gramado.

 

Gramado - Linda! Não importa a estação

 

              Uma vez estando no sul do Brasil, que tal dar uma esticadinha até a Argentina a reboque dos pacotes promocionais que algumas agências de viagem estão oferecendo? A Cidade de Buenos Aires dispõe de várias possibilidades de alojamento. Lá existem inúmeros hotéis cinco estrelas, como também hospedagens alternativas para quem busca um pacote mais econômico. Os melhores hotéis estão localizados no centro da cidade, o que facilita a visitação aos principais centros turísticos. Entretanto, as pousadas alternativas, ainda que situadas em bairros mais distantes, são bem servidas pelo sistema de transporte, o que facilita o acesso dos turistas aos passeios pela cidade.

 

 Buenos Aires - Argentina

 

               Cinco estrelas ou não, o que importa na lua de mel é a companhia que se leva para o “enfim sós”. Nesse quesito, cada cônjuge já fez sua escolha antes de planejar essa parafernália toda, que é a cerimônia de casamento. Agora, é só torcer para que, daqui a alguns anos, a palavrinha “sós” continue no plural. Boa sorte!

 

 Tango argentino

 
 

Cultura: Os melhores anos do resto de muitas vidas

 

Tatiana Bruzzi - editora tatibruzzi@yahoo.com.br 

 

             Quando o Espetaculosas resolveu fazer uma edição em homenagem aos anos 80, logo me veio à cabeça lembranças agradáveis da minha infância e pré-adolescência. Afinal, é dessa década que extraí minhas influências em relação a arte e cultura.

             Cinema, música, TV... O acervo de sucessos que surgiram na década de 80, ou tiveram seu auge nessa época, é tão rico que muitos ainda se mantém no topo, em termos de popularidade. Quantas foram as bandas que fazem sucesso até hoje? Sem contar os filmes que, mesmo sendo produções do século passado, ainda possuem o dom de encantar muita gente. A ponto de ganhar remakes, como foi o caso de Star Wars (1999).

             E ainda as séries e desenhos, que saíram das telinhas para conquistar as telonas, como As Panteras, O Incrível Hulk, Transformers e as trilogias de Batman e Homem Aranha.

             É por isso que agora eu convido você a pegar “carona nessa calda de cometa” em direção a Viagem ao Mundo dos Sonhos e relembrar, ou conhecer, tudo de bom que os anos 80 trouxe para a minha, a sua e muitas gerações. Além de entender porque essa época merece tantas comemorações.  

 

A era de ouro do cinema adolescente

 

              Música, cinema, videogames e a globalização da cultura Pop fazem dos anos 80 uma época nostálgica, mesmo para quem não viveu aqueles tempos. Aos jovens brasileiros a década trouxe ainda um clima de liberdade, conquistada graças ao final da ditadura militar (1985) e todo seu processo de redemocratização. 

               No cinema, a hegemonia dos filmes “teens” rendeu muitos clássicos como Gatinhas e Gatões (1984), Clube dos Cinco (1985) (ambos de Howard Deutch), Os Goonies (Steven Spielberg, 1985), Conta Comigo (Stephen King, 1986) e Negócio Arriscado (Paul Brickman, 1983). Nesse último, o até então desconhecido Tom Cruise interpreta um jovem estudante que aproveita uma viagem dos pais para andar no Porshe da família e faturar uns trocados, transformando sua casa em bordel. O filme é emblemático dos valores que a década trouxe. Uma juventude mais pragmática e menos ideológica, que faz da busca por sexo e dinheiro um ideal de vida sem nenhum constrangimento.

 

 

               Tempos mais tarde, Tom Cruise iria se consagrar definitivamente como o personagem Maverick, em Top Gun – Ases Indomáveis (Tony Scott, 1986). Entre as imagens clássicas dos anos 80, não podemos esquecer do piloto de caça da Marinha norte-americana, com seus óculos escuros (Ray Ban) e jaqueta de couro, em cima de uma moto Kawasaki Ninja 900. Aliás, muitas garotas vão concordar comigo. Nunca se viu Tom Cruise tão gato!!! Destaque ainda para o hit “Take My Breath Away”(Berlin), tema romântico de Maverick e da instrutora Charlie Blackwood, interpretada por Kelly McGillis.

                No mesmo ano o diretor John Hughes faria outro líder de audiência teen denominado A Garota de Rosa-Shocking, O filme, baseado na história de uma garota pobre que se apaixona por um jovem rico, retratou muito bem a moda e o comportamento adolescente da década. E o que é melhor, com direito a uma trilha sonora que incluía composições de New Order e Echo & The Bunnymen.

                Mas, entre os sucessos que simbolizam o espírito da década e mostram a força do cinema para adolescentes, o título de “clássico maior” com certeza pertence ao filme Curtindo a Vida Adoidado (John Hughes, 1986). Nele Mathew Broderick interpreta o adolescente Ferrys Bueller, que mata um dia de aula para vivê-lo como se fosse o último de sua vida. E em grande estilo, já que estava a bordo de uma Ferrari anos 60 e acompanhado do melhor amigo e da namorada. Destaque para a cena da parada na rua, em que ele invade um carro alegórico e comanda o desfile ao som de “Twist and Shout”, dos Beatles.

 

 

 ET telefone minha casa



               A era do cinema para adolescentes que foi os anos 80 também trouxe à tona as superproduções de diretores como Steven Spielberg, Robert Zemeckis e George Lucas. A começar pela saga do arqueólogo, aventureiro e professor nas horas vagas Indiana Jones, que teve os três primeiros episódios na década: Os Caçadores da Arca Perdida (1981), O Templo da Perdição (1984) e A Última Cruzada (1989).

              Entrando na era da ficção, tivemos as idas e vindas no tempo de Marty McFly e do cientista Emmett Brown em De Volta Para o Futuro, que aconteceram entre os anos de 85 e 90. E o grande legado de Guerras nas Estrelas, que também ajudou a consolidar a hegemonia do cinema teen com as seqüências O Império Contra-Ataca (1980) e O Retorno do Jedi (1983), e colocar o inimigo Darth Vaider no clã dos vilões mais temidos da história.

              No começo da década, dois clássicos de Francis Ford Coppola – Vidas Sem Rumo (1982) e Rumble Fish (1983) – abordaram os dramas da adolescência e lançaram uma nova geração de jovens atores como Tom Cruise, Ralph Macchio, Emílio Estevez, Matt Dillon, Nicholas Cage e Rob Lowe.
Como nem só de cinema para adolescentes foi feita a década de 80, a produção de filmes cultuados pelos estúdios de Hollywood nunca esteve tão em alta. Títulos como Blade Runner – O Caçador de Andróides (Ridley Scott, 1982) mudaria o rumo das ficções científicas nas telonas. Além disso, o diretor Brian de Palma lançaria dois clássicos do cinema contemporâneo: Scarface (1983) e Os Intocáveis (1989).

               A onda dos mangás começaria a conquistar o mundo com a animação meio cibernética, meio punk de Akira (Katsuhiro Otomo, 1988). E mais, David Lynch com Veludo Azul (1986), Spike Lee com Faça as Coisas Certas (1989) e Jim Jarmusch com Stranger Than Paradise (1982) e Down By Law (1983) mostraram a força de um cinema independente e alternativo, em relação aos padrões hollywoodianos.

 

 

               Além disso os anos 80 foi a época em que mais se criou personagens populares, seja por sua simpatia, seja pelo medo que causaram. Seguindo a linha de O Exorcista (1973), filme que marcou para sempre a vida de Lynda Blair no papel de Regan MacNeil, quem não se lembra de Carol Anne – Poltergeist (1982), Jason Voorhees - Sexta-Feira 13 (1980), Michael Myers - Halloween (o primeiro filme foi lançado em 78, já o segundo em 82) e Freddie Krueger - A Hora do Pesadelo(1984)?

              Porém, nenhuma personagem caiu mais na graça de crianças e adultos do que o simpático “etezinho” do filme ET – O extraterrestre. Mais uma produção do genial Steven Spielberg, o longa foi lançado em 1982 e entrou para a história do cinema como o primeiro a superar a casa dos 700 milhões de dólares de faturamento, nas bilheterias de todo o mundo.

 

 

               Para finalizar, o Brasil não ficou de fora da onda pop-rock e lançou um cinema também focado no público adolescente. Pelas mãos de Antônio Calmon tivemos Menino do Rio (1981) e Garota Dourada (1984). Já Lael Rodrigues foi o responsável por Bete Balanço (1984) e Rock Estrela (1986). Produções que revelaram o estilo de vida da juventude carioca, embalados pelos sucessos da nova música jovem no país.

 
 

Cutura: Repertório de uma geração que de inútil não tinha nada

 

Tatiana Bruzzi - editora tatibruzzi@yahoo.com.br 

 

                 Eles podiam não saber escolher presidente, responder por si próprio e muito menos escovar os dentes, mas se tem algo que a geração de artistas dos anos 80 sabia, era fazer música. A década de 80 foi responsável por uma verdadeira revolução no mundo da música pop-rock-metal-punk-new wave. Isso mesmo, nunca se viu tantos gêneros reunidos de uma só vez. E, no meio de toda essa miscelânea, quem saía ganhando eram os jovens.

                Os ingredientes responsáveis pela diversidade de estilos presente na década de 80 foram a herança do punk e a ascensão comercial da canção pop. No rock, a fase pós-punk trouxe ainda a modernidade da new wave, um dançante rock eletrônico, e as novas variações do heavy metal, que iam do melódico aos rápidos riffs de guitarras do trash metal.

                Já no estilo pop, a versão mais adocicada e suave do rock, Michael Jackson e Madonna reinaram por absoluto. Seus sucessos trouxeram à tona a influência da black music, da nascente cultura hip hop, ecos da disco music (anos 70) e também uma pitada de rock. Nesse mesmo campo, ainda, tivemos o surgimento de nomes como Cindy Lauper, Prince, George Michael e A-HA.

 

 

               A aproximação entre o pop e o rock ficou evidente em vários estilos de sucesso nos anos 80. Bandas como Talking Heads, B-52’s, Blondie, The Police e Devo misturaram elementos presentes no punk, com influências de estilos mais sofisticados e dançantes. Entre eles o reggae, a disco music e a música eletrônica.

               Além da new wave, as influências da música eletrônica alcançaram grupos que fizeram um rock bem mais dançante, como as canções românticas interpretadas por Duran Duran e Culture Club, ou o pop-rock eletrônico de Soft Cell, Depeche Mode e New Order.

 

 

                Mesmo os gêneros mais radicais, como o hard rock e o heavy metal, tiveram uma fase pop nos anos 80. Com um som bem mais meloso que o de costume, Bon Jovi, Van Halen e Poison emplacaram uma mistura de rocks e baladas sentimentais, com um visual “glam rock” (ou glitter rock) dos anos 70. Por outro lado, distantes da influência pop, bandas como Kiss (surgida em 73), Anthrax e Metallica radicalizaram com uma sonoridade cada vez mais acelerada e pesada.

 


No Brasil é chegada a hora de colocar a boca no microfone



                A década de 80 foi muito importante para a música jovem brasileira. Sua renovação ocupou o espaço deixado pelos gêneros Tropicália e MPB, e o pop-rock passou a expressar, através de suas canções, sentimentos referentes a nossa juventude.

               Graças a redemocratização, que proporcionou liberdade de expressão e renovação cultural, novas bandas vindas de grandes cidades como São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e Salvador, ajudaram a enriquecer o mercado fonográfico nacional.

 

 

                Nascia ali nomes como Legião Urbana, Titãs, Os Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Capital Inicial, Biquine Cavadão, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens (mais tarde apenas Kid Abelha), Blitz. Lobão e os Ronaldos, Nenhum de Nós, João Penca e seus Miquinhos Amestrados e Ira!, entre muitos. E que revelaram novos e talentosos compositores brasileiro como Cazuza, Renato Russo, Arnaldo Antunes e Leoni.


 

Eu sou Free


                Além das bandas já citadas, onde a maioria permanece no mercado até hoje, outras personalidades da música tiveram mais do que seus 15 minutos de fama. Nomes como Metrô, Dr. Silvana e CIA, Kid Vinil, Sempre Livre e Rádio Táxi, caíram no gosto do público por conta de sua irreverência, e embalaram muitas festinhas.

                Entre as mais escrachadas, destaque para o Ultraje a Rigor. A banda, comandada por Roger, surpreendeu ao intitular sua geração como INÚTIL e revelar que, o que os jovens da época mais queriam na vida era SEXO. Hoje, apesar de nem sempre estar em evidência, de vez em quando reaparece na mídia ou nas chamadas Festa Ploc – eventos em homenagem aos anos 80 que reúne, em um único show, vários artistas da época.



Geração Coca-Cola



                Éramos tão jovens e por isso, consequentemente, livres. E assim se fez o sucesso da música “oitentista”, que sobreviveu graças a nostalgia dos adultos, que curtiram aquela época, e ainda da curiosidade dos jovens que não a vivenciaram.

                 Porém, o principal mérito daquelas canções, comprovada pelas regravações de músicas e redescoberta de artistas dos anos 80, é que tanto o pop-rock nacional, como o internacional, produziram um repertório de canções que continuaram a se identificar com o sentimento das gerações que vieram a seguir.

 
 

Cultura: Anos 80, bem vindos a Cidade do Rock!

 

 Carolina Andrade - Redatora  carol_andrade@hotmail.com 

 

               No campo musical a década de 80 foi um arraso! Uma mistura de ritmos e culturas invadiu o mundo fazendo a festa para os DJs que já animavam as baladas. E tinha realmente de tudo, de Elba Ramalho e Caetano Veloso, a Michael Jackson (com o hit imbatível de Thriller) e Tina Turner. Bandas de rock de garagem como Legião Urbana, Ultraje a rigor, Engenheiros do Hawaii, Titãs e RPM estavam no seu auge, assim como personalidades extravagantes internacionais como Boy George, Lionel Richie, David Bowie, Whitney Houston, Paula Abdul, Prince e Billy Idol. Bandas importantes tiveram início nos anos 80, como Duran Duran, U2, A-ha e Dire Straits. E o samba também foi homenageado nessa época com a inauguração do sambódromo no Rio de Janeiro, em 1984.

               Pra reafirmar que a diversidade musical pode ter começado nos anos 80, é interessante lembrar que foi nesse período que a música eletrônica entrou em cena. O mundo conhecia a “dance music” e o “hip-hop” pela primeira vez e gostava! E os ritmos ficaram ainda mais populares quando logo no início da década, em 81, foi criado o canal de televisão mais polêmico e divertido da rede Americana, a MTV. Era uma nova era, a era dos vídeo clips.

 

 

               Em meio a toda essa transformação no ramo da música, houve um fato que estremeceu todo o mundo e traz até hoje memórias felizes em muita gente, principalmente àqueles brasileiros que viveram a experiência. Em 1985 o Brasil sediou o maior festival de música até então visto na América Latina. Eram abertos os portões da Cidade do Rock, e tinha início a primeira edição do Rock in Rio!

               As informações sobre esse festival são realmente impressionantes. Uma pena eu ter somente 3 anos de idade quando tudo aconteceu. Ainda bem que pude, pelo menos, participar da terceira edição! (Um pequeno desabafo da autora da coluna!).

 

 

              Mas analisem comigo: o Rock in Rio teve 10 dias de duração, de 11 a 20 de janeiro. O local tinha 250 mil metros quadrados, organizado especialmente para receber o festival, e contava com 50 lojas divididas em dois shoppings centers e duas grandes redes de fast food, além de um palco de 5 mil metros quadrados, o maior até então.

 

 

              E os números continuam na casa dos mil. Para cada dia de apresentação o público variava entre 30, 200 e até 300 mil pessoas. Para os fãs de heavy metal, um dos dias mais esperados foi justamente o que abriu o Rock in Rio. Com o público recorde de 300 mil pessoas, no dia 11 de janeiro subiram ao palco Queen (o show teve transmissão ao vivo da Globo e ainda foi gravado. O resultado você pode conferir hoje em dia, num super DVD ao vivo da banda), Iron Maiden, Whitesnake, Pepeu Gomes e Baby Consuelo, Erasmo Carlos e Ney Matogrosso.

 

 

              Nos dias subseqüentes compartilharam também o mesmo palco astros como James Taylor, Rod Stewart, Rita Lee, Ozzy Osbourne, Scorpions, Nina Hagen, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, AC/DC, Yes, Barão Vermelho, Blitz, George Benson, Al Jarreau, Elba Ramalho e Moraes Moreira, entre outros. Estima-se que o público para todos os dias foi de 1.5 milhão de pessoas. O equivalente a cinco festivais Woodstock de uma vez só.

 

 


Outras curiosidades


- Segundo um site americano de pesquisa, foram consumidos cerca de 1,6 milhões de litros de bebida, servidos em 4 milhões de copos de plástico. Um recorde também foi batido no quesito alimentação, 58 mil hambúrgueres foram servidos pelo Mac Donald’s em apenas um dia de show. No total foram 900 mil hambúrgueres e 500 mil fatias de pizza nos 10 dias.

 

- Curiosidades também no palco! O cantor Bruce Dickinson da banda Iron Maiden cortou a testa depois de jogar a guitarra para o ar. Segundo fontes, o corte foi profundo, mas ele continuou cantando com sangue no rosto como se nada tivesse acontecido. A banda Iron Maiden também fez uma outra “gracinha”. Eles começaram o show à exatamente 2 minutos para a meia noite, numa menção ao sucesso da época “Two minutes to midnight”. Levando os fãs ao delírio.

 

- Disparidades, Nina Hagen não teria recebido um centavo pelo show que fez. Enquanto Queen recebeu cerca de 600 mil dólares pelos dois shows que realizou.

 

- Lembram-se de Carlinhos Brow reclamando do público jogando copinhos de plástico contra ele, na última edição do Rock in Rio no Brasil (em 2001)? Na edição de 85 a banda Kid Abelha sofreu com o público arremessando pedras contra o palco. No dia seguinte ao show deles, Hebert Vianna teria pedido a platéia que comparecesse somente aos shows que realmente gostassem.

 

- Os Rock in Rios foram criados e produzidos pelo empresário Roberto Medina. Além da edição de 85, ele montou edições em 91 e 2001, também no Rio de Janeiro. Em seguida, Roberto Medina resolveu produzir os festivais fora do Brasil. Já houve três em Portugal e um na Espanha. Todos foram de muito sucesso. Uma nova edição em Portugal parece ter sido confirmada para 2010, enquanto isso os fãs do Brasil esperam a promessa de um Rock in Rio 4, em 2014.

 
 

Cultura: Um por todos...

 

 Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br 

 

No filme Quem quer ser um milionário?, de Danny Boyle, o jovem Jamal ganharia o prêmio máximo desse programa de TV se acertasse o nome do terceiro mosqueteiro da obra de Alexandre Dumas. Embora o roteirista, Simon Beaufoy, tenha se baseado no livro de Vikas de Swarup para compor a narrativa, no desfecho, e ao longo de toda a trama, há uma fábula que aproxima o filme do clássico Os três mosqueteiros. Nas duas histórias existem três personagens com características diferentes, mas unidos pela vontade de vencer o inimigo.   

 

 

 

 

 

Filme Os três mosqueteiros

 

 

 

 Em Os Três Mosqueteiros, os inseparáveis Athos, o nobre, Porthos, o forte, e por fim, Aramis, o astuto, dão a vida para defender o rei Luís XIII. Já no filme Quem quer ser um milionário?, as crianças Jamal, Salim e Latika criam uma cumplicidade entre eles para resistirem à fome, à miséria e à violência a que são submetidos pela máfia de exploradores de órfãos, cujos pais foram vítimas do massacre aos mulçumanos.

 

 

 

 

 

 

 

Enquanto na história do escritor francês os três mosqueteiros cobrem-se de glória ao participarem do cerco a La Rochelle (1629), no filme do diretor inglês apenas Jamal conhece o triunfo ao se inscrever no popular programa de TV "Quem Quer Ser um Milionário?". Inicialmente desacreditado, ele busca na memória as experiências e fatos de sua vida para responder às perguntas feitas pelo apresentador. Mas todo esse sacrifício teria outro valor, bem maior do que o dinheiro do prêmio: libertar Latika, o grande amor de sua vida, que se encontrava sob o domínio de um cafetão.

 

 

 

 

 

 

 

A partir das lembranças que levaram Jamal a se tornar um milionário, Danny Boyle constrói a narrativa de modo a mostrar ao mundo as discrepâncias sociais da Índia. É quando ele abusa do jogo de câmeras e filma um país de contrastes, cercado por favelas, tendo ao centro da atenção uma população que sobrevive sem o mínimo de condições higiênicas. Em contrapartida, mostra uma Índia que tem lindas paisagens e castelos exuberantes, como pontos turísticos de alta lucratividade (sem falar de Bollywood).

            Em meio a essa profusão (confusão) de imagens, a que o diretor submete o espectador, se configura uma estética bem próxima do grotesco. A cena em que Jamal, coberto de excrementos, corre em busca de um autógrafo do seu ídolo é engraçada, mas repugnante também. Mesmo quando o protagonista se faz de guia turístico e conta a história do castelo Taj Mahal de forma hilária, nesta perpassa a ironia do diretor em relação ao monumento, considerado uma das sete maravilhas do mundo.

 

 

 

 Taj Mahal

 

 

 

O filme Quem Quer Ser um Milionário? concorreu a dez categorias e conquistou oito estatuetas. Foram elas: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor canção original, melhor trilha sonora, melhor edição, melhor mixagem de som e melhor fotografia. Cabe informar ainda, que as crianças protagonistas moram realmente em barracos de Mumbai. Não ficaram milionárias, mas ganharam do governo de sua região um apartamento após a vitória como melhor filme no Oscar.  

 

 

 

 

Parte do elenco no Oscar

 

 

Produzido a baixos custos para os moldes de filmes vencedores do Oscar, Boyle demonstrou como se pode construir boa história sem utilizar efeitos especiais e sem apelar para celebridades Hollywoodianas. No filme, o diretor soube como ninguém usar o “olho” da câmera para fazer o público enxergar o paradoxo social em que se encontra a Índia.

E tal dicotomia miséria x ostentação se aplica também ao sucesso de Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Coincidência ou não, os dois filmes tratam de crianças que vivem uma infância marcada pela miséria e violência urbanas. Outro recurso utilizado, além da câmera, foi a narrativa em retrospectiva.

Aqui o espectador atento perceberá que alguma mudança ocorreu na Índia desde que as crianças cresceram: a favela onde eles moravam foi extinta e no local ergueram prédios modernos.

E assim o bem vence o mal e o amor triunfará sempre. Um filme emocionante que vale a pena ver (de novo). 

 

 

Ficha Técnica:

 

Título Original: Slumdog Millionaire
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Inglaterra): 2008
Site Oficial:
www.quemquerserummilionario.com.br
Estúdio: Celador Films / Film4
Distribuição: Fox Searchlight Pictures / Europa Filmes
Direção: 
Danny Boyle
Roteiro: Simon Beaufoy, baseado em livro de Vikas Swarup
Produção: Christian Colson
Música: A.R. Rahman
 

 
 

Turismo: Europeando! Próxima parada Londres!

 

 Carolina Andrade - Redatora  carol_andrade@hotmail.com 

 

Durante um período de folga no trabalho de minha irmã, fizemos uma viagem de oito dias fora da Alemanha. Nosso destino? Londres e Paris. Saímos de Munique no dia 1º de janeiro de 2009, por volta das 10 e pouca da manhã. Nevando muito, arrastamos as malas pelas ruas da cidade até o trem que nos deixaria direto no aeroporto. Preferimos viajar de avião pela rapidez e preço. No final da tarde estávamos em Londres.

Assim que chegamos e achamos nosso hotel, que ficava numa rua só de hotéis na região entre as estações de Pimlico e Victoria, nos trocamos, pois tínhamos ingressos para um musical. Fomos para o Dominium Theather assistir ao espetáculo “We Will Rock You”, uma peça baseada nas músicas da banda Queen, que no final vira praticamente o show cover, mas lotado e bem divertido. Os fãs enlouquecem, valeu à pena.  

Esse foi nosso primeiro dia na cidade e as primeiras impressões foram as que todos comentam. Londres é cinza, escura. Chove ou serena bastante. Tem estrangeiros por todo o lado, como se fosse uma Nova York. E tem o metrô mais espremido que eu já vi. Antes de chegar, eu sabia que o metrô de Londres era chamado carinhosamente como The Tube. Mas, só quando a gente chega lá é que entende porquê. O metrô é como se fosse um tubo mesmo, um jogador de basquete, por exemplo, se tiver que ficar em pé perto das portas com certeza ficaria curvado. No início a sensação que se tem é de um local inseguro, por ser apertado e não muito limpo. Depois a gente começa a se acostumar.

Outro fato interessante sobre o metrô é que os acessos com escada rolante são somente os principais, e elas são enormes e profundas. Depois que você está circulando pelos corredores do metrô, quase nenhum acesso tem escadas rolantes. É tudo escada normal e muita escada. Raramente você vê idosos circulando. Já deficiente físico é praticamente impossível. Dizem que Londres é a capital dos jovens, talvez seja por isso. Os mais velhos não conseguem se locomover, a não ser de ônibus ou carro. Haja fôlego para trafegar com malas pesadas!   

Mas num ponto o transporte em Londres é bem positivo. Assim que chegamos ao aeroporto de Stansted, ao norte da capital, fomos a um guichê onde compramos bilhetes para andar por cinco dias na cidade em qualquer meio de transporte. E o preço, se não me falha a memória, foi 18 libras para cada uma. Um valor, em minha opinião, justo, já que poderíamos pegar metrô, trem, ônibus a vontade durante aquele período, dentro daquela região.

 

 

 

 London Eye

 

 

 

No mais, Londres é incrível. Há muita coisa para se ver. Nosso roteiro ficou em London Eye, aquela roda gigante que dá visão para toda a cidade, o Parlamento e o Big Ben, que só estão abertos para visita interna no verão, portanto, só vimos pelo lado de fora e é realmente muito imponente e bonito. Almoçamos e jantamos em um “pub”, termo clássico para os bares de Londres, e adoramos o ambiente. Meio escuro, comida boa, famílias inteiras, ou grupos saindo do trabalho, muito bate-papo com sotaque inglês, televisões e rádios ligados, bom atendimento e ótimo preço!

 

 

 

 

Parlamento Inglês e Big Ben

 

 

Para todo o lugar que íamos pegávamos o metrô ou andávamos um pouco. Os pontos turísticos principais não ficam muito longe um dos outros. Ao lado do Parlamento, do Big Ben, do Rio Tâmisa e bem próximo da London Eye, encontramos a famosa e sinistra Abadia de Westminster.

 

 

Abadia de Westminster merece um capítulo a parte

 

 

Quando chegamos à frente dela, a única coisa que sabíamos sobre o local é que uma parte do filme O Código Da Vinci tinha sido rodado ali. Sabíamos então que lá dentro veríamos o túmulo de Sir Isaac Newton, como aparece no filme. Pagamos 11 libras cada uma para entrar e valeu cada centavo. Este deve ter sido o primeiro e verdadeiro choque cultural e histórico que levamos durante toda a viagem. Até então, como brasileiras, só conhecíamos uma arquitetura recente, de 500 anos para cá. Na Alemanha vimos muita coisa antiga, mas é impressionante o que vimos lá dentro. A Abadia foi fundada em 960. Sim, 960 depois de Cristo. Pelas minhas contas então ela tem 1049 anos.

 

 

 

 Abadia

 

 

Antes de percorrer toda a Abadia, recebemos um aparelho que parecia um telefone celular. Ele era o nosso guia. Bastava apertar a tecla para o idioma, no nosso caso foi o português de Portugal, e seguir os comandos do aparelho para conhecer todos os detalhes de Westminster. Assim a gente ia andando e ouvindo ao nosso tempo, sem precisar seguir um grupo ou ter que ir de um lugar para outro rapidamente.

Sua arquitetura é gótica, muito escura, com vitrais coloridos que deixam a luz do sol entrar e iluminar pontos estratégicos. Muitas esculturas adornam o ambiente, além de madeira e peças em ouro. O seu maior valor são seus túmulos, não só o de Isaac Newton, mas os das rainhas Maria I, a Rainha Mãe Elizabeth I (falecida em 2002), de reis como Henrique VII e Ricardo II, de membros de famílias reais (irmãos, maridos e esposas, sobrinhos, netos, enfim...) e de grandes personalidades da história como Charles Darwin, Martin Luther King e o compositor Handel. Vimos também homenagens a Shakespeare e Winston Churchill.  A cada sepultura o turista contempla arte, riqueza e história.

É na Abadia que os reis e rainhas são coroados e também velados. É possível ver o trono real, da mesma idade da Abadia, esperando o próximo sucessor da coroa inglesa. A princesa Diana também foi velada lá, em 1997, mas não encontramos sua sepultura.

No local não é permitido tirar fotos. E ainda são feitos cultos religiosos em determinadas horas do dia, com direito a um coral de crianças que, por sorte, estava ensaiando no horário de nossa visita. Na saída ainda contemplamos um último túmulo, o do soldado desconhecido. Uma homenagem a todos os soldados que morreram na guerra. Nossa visita levou cerca de 3 horas.

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