Ah, fala sério

 
 

O homem na berlinda

 

 Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br  

 

           Muito calor, praias lotadas e o cenário típico do verão se completa com barracas e cadeiras multicoloridas, espalhadas pela areia. Esta é a melhor época para homens e mulheres exibirem suas formas perfeitas, resultado de meses de sacrifício e muita malhação. Então, as cariocas lançam o biquini da moda e espalham pelo mundo a fama de irresistíveis. Os homens podem negar isso, mas estudos baseados em Freud e Lacan afirmam que todos tendem a pensar nas mulheres como objetos - principalmente quando elas estão de biquíni. Primeiro eles olham o corpo, o rosto passa a ser secundário nesse jogo de sedução.

          Segundo a psicanalista Malvine Zalcberg, autora do livro Amor paixão feminina, todo desejo implica numa falta. Para o homem, portanto, “a fantasia lhe permite ver a parte perdida dele mesmo no corpo do outro, o parceiro sexual, no caso a mulher”. Para Lacan, esse modo de amar do homem tem uma semelhança com a relação que o sujeito de estrutura perversa mantém com seus objetos. Nesse contexto, quando o homem “faz amor“, trata-se de poesia, mas seu “ato de amor” implica um modo perverso de amar. Esse modo fetichista de amar tem valor de troca por aquilo que o homem perdeu.

 

 

 

           O ponto importante nessa análise é que, tal modo de amar do homem é o que faz a mulher sentir-se verdadeiramente feminina. Por conta disso, o medo da perda do amor, desse desejo que ela desperta no homem, desencadeia nas mulheres alguns distúrbios como baixa autoestima, depressão e, em casos extremos, a automultilação. Não por acaso, a mulher recorre à cirurgia plástica, investe na aparência e consome produtos de beleza para se ajustar aos padrões estéticos atuais. Sem falar na corrida à loja de artigos eróticos, para comprar aquilo que a suposta ou verdadeira amante usaria. Tudo para cativar o homem, como prova de que  ela aceita ser o seu objeto de desejo.

          Se a mulher é o objeto de desejo do homem, ele também deve investir nessa conquista, sabendo-se que essa forma fetichista de amar dele não basta para a mulher se sentir segura. Ela precisa ouvir do outro que é amada e desejada. Não basta parecer que é. Para a mulher, a palavra vale tanto quanto o ato de amor. Assim define Lacan sobre o silêncio do homem “que não compreende nada do amor na medida em que para ele basta o gozo”. Por conta disso, a mulher norteia sempre as fantasias do homem que, na ausência dela, se contenta com revistas e filmes pornográficos que alimentem sua imaginação.

          Mas, como prova do valor imprescindível desse sedutor para o equilíbrio da espécie na Terra criaram o Dia Internacional do Homem, comemorado em 19 de novembro. Segundo a Unesco, os objetivos principais dessa homenagem são melhorar a saúde dos homens (especialmente dos mais jovens), melhorar a relação entre gêneros, promover a igualdade e destacar papéis positivos de homens. É uma ocasião em que eles se reunem para combater o sexismo e, ao mesmo tempo, celebrar suas conquistas e contribuições na comunidade, família, casamento e na criação dos filhos. 

 
 

Balzaquianas na berlinda

 

 Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br  

 

Em 1841 o escritor Honoré de Balzac preparou uma edição de “Obras completas”, sob o título A comédia humana, para espelhar a imagem da sociedade francesa do século XIX. Entre os romances dessa vasta obra, “A mulher de trinta anos” ficou tão famoso que, até hoje, o termo balzaquiano é aplicado para lembrar mulheres com a mesma faixa etária das personagens do livro de Balzac.  

Crítico do então capitalismo-burguês, a modernidade de sua obra está em apontar para uma sociedade possuída pela ideia do poder do dinheiro e do consumismo exacerbado.  Nesse contexto, circulam as mulheres que inspiraram o escritor a compor um perfil fiel das personagens femininas em busca da sensualidade e do amor em plena idade madura.

            Pela ótica do escritor, as mulheres quando chegavam aos trinta anos se angustiavam porque se sentiam menos bonitas, logo menos cobiçadas. Balzac, no entanto, valorizava os desejos delas e discutia abertamente os problemas íntimos de casamentos fracassados. Para época, foi uma leitura que causou escândalo pelo pioneirismo do autor em desnudar o pensamento feminino. De lá para cá, as balzaquianas tornaram-se símbolo do ápice da sensualidade - e sabem disso -, mas não querem perder a juventude. Não é à toa que elas lotam academias, em busca da boa forma, e se transformaram em alvo fácil para profissionais especializados em estética.

Essa busca desenfreada, pela forma perfeita, pode trazer benefícios ou não.  Estatísticas mostram que o Brasil é o segundo maior consumidor de botox do mundo, na frente da França e de outros países com poder aquisitivo maior do que o nosso. Diferentemente das brasileiras, que já estão usando a toxina botulínica antes dos trinta, as européias acham natural envelhecer. Quando o procedimento resulta em bem-estar, autoestima elevada, tudo bem. Entretanto, especialistas advertem que só o médico define onde deve ser aplicado o produto. Caso contrário, podem ocorrer infecções, hematomas, dor e a difusão da toxina do local da injeção para musculaturas adjacentes.

No plano psicológico, o problema se agrava. Os analistas que o digam, pois não para de crescer o número de balzaquianas que vão ao consultório queixosas de que, “com aquela idade”, não arranjaram um amor duradouro. São em geral mulheres bem-sucedidas no trabalho, independentes, mas insatisfeitas. Já puseram silicone, malham todos os dias e não sabem por que não são desejadas como gostariam. Quando não recorrem a especialistas, fazem da Internet o meio mais seguro para se aproximar de alguém, sem envolvimento imediato. Embora no romance de Balzac os sentimentos se expressassem de forma velada, havia um arrufar de toques das mãos nos salões. Hoje, os sites de relacionamento estão aí para compensar essa carência presencial, abolindo o medo de assumir desejos contidos. 

Essa insatisfação da mulher, revelada nos divãs de analistas, tornou-se tema constante de publicações escritas por especialistas na área. O psicanalista Alberto Goldin, por exemplo, publica, a cada domingo, na Revista “O Globo”, um artigo respondendo às cartas dos leitores. Entre os artigos um, publicado em 26 de julho de 2006, me chamou especial atenção pelo título: “Uma decisão solitária”. Trata-se de uma carta enviada por uma mulher de 30 anos, casada há oito, cujo nome foi preservado. No texto ela dizia que, durante o namoro, o marido a traiu muitas vezes, mas que depois do casamento ele passou a viver exclusivamente para a família. Revela nunca tê-lo traído, mas confessa que está se relacionando com um homem pela Internet e pensa em se encontrar com ele, mas precisa terceirizar sua decisão.  A resposta do psicanalista foi filosófica: (...) “todo ser humano, sem exceção, encontra-se só diante de seus desejos e ainda mais só com suas responsabilidades. Moral, religião e tradições oferecem pacotes de soluções que aliviam, mas não resolvem. Cada um precisa percorrer seu próprio caminho”.

Diante desse aconselhamento médico, a conclusão a que chegamos é muito simples: Em qualquer fase da vida, seja pré ou pós-balzaquiana, crises acontecerão. O importante é que a mulher saiba manter acesa a emoção de buscar no trabalho ou no lar a fórmula mágica de ser feliz. Desejar não significa realizar, mas oxigena o cérebro e o coração. Balzac, por exemplo, desejou por toda a sua vida a condessa polonesa Eveline Hanska e só conseguiu a desposar nos últimos dias de sua vida, já doente. Mas essa paixão o impulsionou a escrever sobre as mulheres de trinta e decifrar seus segredos mais íntimos.

 
 

Woodstock: o sonho da paz e do amor

 

 Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br  

 

Em 1969, enquanto os americanos festejavam a chegada do homem à lua como uma causa nobre, o mundo testemunhava a violência da Guerra do Vietnã, golpes de estado espalhavam-se pela América Latina e Oriente Médio, e milhares de crianças morriam de fome na Biafra. Em meio a tantas mazelas, mudanças políticas, sociais e comportamentais, surge uma ideia de quatro jovens empreendedores que acreditavam na utopia de que dias melhores viriam: resolveram patrocinar o Festival Woodstock, que acabou sendo  o maior espetáculo da contracultura.  

 

 

 Há 40 anos, durante três dias - de 15 a 17 de agosto -, um palco foi montado na pequena cidade de Bethel, estado de Nova York, para apresentar astros como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan, Santana e The Who. Mesmo sem nenhuma infraestrutura que garantisse o êxito do festival, os idealizadores John Roberts, de 24 anos, e Joel Rosenman, de 26, apostaram no movimento hippie da “paz e amor”, como lema que atraísse o público  para o evento.  Para tal, contaram com o apoio do produtor Michael Lange e do executivo da indústria fonográfica Artie Kornfeld, que também planejavam realizar um festival misturando exposição cultural, shows de rock e estilo de vida da contracultura. Ou investir numa gravadora independente, especializada em rock. Caso optassem pela gravadora, a cidadezinha chamada Woodstock, em Manhattam, já havia sido escolhida para ser o local que abrigaria o estúdio.  

 

  

 

 Os quatro empreendedores decidiram pelo festival, mas no campo, depois que a prefeitura inviabilizou um concerto de rock na cidade onde seria construída a gravadora. Foi quando o fazendeiro Max Yasgur colocou à disposiçaõ o seu sítio, em Bethel, para a realização do evento. Para que a ideia da gravadora de rock não se perdesse, deram o nome ao festival deWoodstock”. O evento foi tomando forma, a parceria deu certo: planejado para 50 mil, Woodstock recebeu cerca de 400 mil pessoas que se espremeram para ver as memoráveis apresentações de Joe Cocker, Joan Baez, Ravi Shankar, Sly and the Family Stone, entre outros.

 

 

  

 

 Apesar da grande oferta e procura de drogas, o festival não acarretou nenhum acidente ou violência de grandes proporcões, exceto um grande engarrafamento em Nova York e três mortes: um apêndice supurado, um atropelamento por trator e uma overdose de heroína. Fora a euforia, milhares de jovens, ligados por ideais e vontade de se divertir, deitavam-se ao chão para amar e sonhar com o surgimento de uma sociedade menos competitiva e apolítica. Criou-se o lema de “curtir um som, cada um na sua”. E foi nesse clima pacifista que Jimi Hendrix estilhaçara sua guitarra ao tocar o hino nacional americano “Star-Spangled Banne”, em protesto à Guerra do Vietnã. Assim nascia a nação Woodstock, formada por uma geração que sonhava com um mundo melhor.

 
 

Lado B: O Ano da França no Brasil

 

 Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br

 

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“A França no ano que o Brasil retribui”, “O ano em que a França é celebrada no Brasil”, “O Brasil e a França que não se conhecem”... Diversos títulos me vieram à mente para abrir esta simpática matéria sobre o que se convencionou chamar de “O Ano da França no Brasil”. Não que eu seja hostil à França, au contràire, tenho certeza inabalável que minha última encarnação foi nos dourados campos de alguma cidade florida francesa, que bem poderia ser Avignon ou Bourgogne (não, eu não queria ter nascido em Paris), e amo a cultura, a arte, os perfumes e o cinema franceses... A-M-O.

O propalado “Ano...” corresponde a uma gentileza das políticas internacionais onde em 2005 o Brasil foi o homenageado da vez na França. Portanto, não há como negar a diplomacia agradável e a iniciativa culturalmente simpática no movimento inteiro. Agora, e perdoem-me os mais singelos, nobres e elevados espíritos de leitores, e colegas que acham esta e outras iniciativas “únicas”, como Rio2016, “Anos...” de diversos países aqui no Brasil sendo agendados e programados, e outros eventos que não necessariamente possuem um contexto histórico, e disto infelizmente eu não posso fugir, porque como professora de História sei que o que falta ao brasileiro classe média, alta, baixa, econômica, artística, ou qualquer outra classe, é saber História.

 

As pessoas não perguntam mais: “Mas por quê?” E é esta assustadora passividade sem perguntas e uma indiferença blasé, que escondem uma sincera ignorância dos fatos, é que geram os palhaços do Senado, dos Ministérios, estas pessoas que agem de má-fé e completa indecorosidade, apenas aproveitando o fato de que o brasileiro não se pergunta o motivo de nada, e odeia as aulas de História que tentem ensiná-lo a pensar e questionar os fatos.

Por que fizemos o Pan se nem tentamos reativar de verdade os Pam’s da Saúde? Por que a corrupção virou apenas motivo de bate-papo entre amigos? Por que a violência é assustadoramente imparcial na hora de atingir o cidadão? A História, vos afirmo, teria respondido ANTES suas perguntas. E, para evitar me alongar demais, pois sou prolixa e assumo (outra coisa que eu acredito que, em tempos de agilidade e rapidez, mesmo assim, faz falta- longas explicações. Em alguns casos, evitam certos erros), afirmo aqui, com todo o respeito: Amo a França e seus costumes, tenho absoluta certeza que um dia fui bretã, os seus perfumes me entontecem de tão bons, seus filmes e atores/atrizes são belos e talentosos de fazer corar um dalit, a cidade-luz é tuuuuudo de lindo.

Um espetáculo visual e artístico, quer você seja sensível ou não, quer seja você conhecedor do porque atrás de cada arquitetura ou não, você certamente se emocionará ao avistar a Catedral de MontMarte ou a de Montserrat ou ao ver o correr tranqüilo do Rio Sena e a esplêndida arquitetura do Palácio de Versalhes, com seus bidês de ouro, mas saber a História por trás da construção de tudo aquilo, ou mesmo se indagar porque homenagear a França não é só indispensável, é absolutamente preciso.

 

Cada vez mais as pessoas festejam, se encantam, se comovem. Cada vez mais as pessoas ficam tristes com o coitado do Diego Hypólito, que não tem patrocínio de ninguém (agora tem, ele e a irmã assinaram com o banco mais PAC-gracinha do Brasil, a Caixa Econômica) e cada vez menos pessoas param de se perguntar se o Hypólito já comeu suas “mínimas” três refeições por dia, se ele estudou bem e até que série, se o César Cielo por acaso, coitado, já deixou de ser atendido ou diagnosticado com virose. Ou então cada vez menos se importam em ser tão passivas, com o fato de haver um circuito inteiro para exaltar um país amigo, enquanto o brasileiro do Rio não sabe e nem conhece o que é uma “carpideira”, e nem de que cantão do país vem este termo, a menos que a Andréa “Grande Família” Beltrão, junto com a Marieta”um-dia-fui-srª Buarque” Severo (e não quero demonstrar desrespeito, adoro o talento de ambas) encenem uma peça no Teatro da LAGOA...

Sim. Sou francesa por afinidade. Pudesse falava francês e fazia biquinho todos os dias, e passaria tardes deliciosas admirando os museus. Mas enquanto eu falar EM português-brasileiro DE brasileiros PARA brasileiros e tantos quantos outros queiram ouvir, eu ainda vou preferir saber por que o mundo está acabando e por que todo mundo só lamenta muito?    

 
 

Ta chegando a hora do sim

 

 Roberta Marassi - Redatora robertamarassi@yahoo.com.br     

 

Será que falta alguma coisa?

 

            Quando se fala em casamento, pensamos logo na marcha nupcial, uma bela moça vestida de branco, uma igreja super decorada e um noivo ansioso no altar. É, mas sabia que por trás desse “quadro” que acabei de pintar, os noivos têm que ralar muito para que fique tudo perfeito? É sim! São muitos detalhes envolvidos nessas seis horinhas. Eu posso afirmar isso por experiência própria. Muitas coisas acontecem antes do sim!

 

 

            Ainda existem muitas moças que fazem enxoval de casamento, muito antes de encontrar seu amado. Mas eu não fiz nada disso. E o pior, ainda nem comecei e o meu casamento será em pouquíssimos meses. Como diz minha mãe, estou fazendo tudo ao contrário.

           Começamos pelos móveis da sala. Depois de várias pesquisas, idas e vindas à shoppings, lojas de móveis e decoração, resolvemos pelo primeiro conjunto de sala, com dois sofás, mesa de centro, mesa de canto, aparador e uma bela estante. E partimos para a cozinha.

           Depois de chorar preço com um vendedor, ir a outra loja, e olha que me descobri uma verdadeira negociante, consegui um super desconto. Essa é uma das primeiras dicas que deixo para quem está se preparando para o casório. A melhor coisa que tem é comprar a vista. Assim, você pode negociar e ganhar um belo desconto. Tanto que não saí da loja apenas com o fogão, mas com um home theater também.

           Alguns padrinhos e familiares se prontificaram em ajudar com outros eletros, o que é muito bom! E não seja interesseira (o) em chamar aquelas pessoas que têm uma boa situação financeira. Essa escolha é delicada, já que queremos chamar todos que são importantes em nossas vidas. Mas procure os que você tenha mais afinidades, os que te apoiaram e os que acompanharam a história do casal desde o início.

 

 

           Um dos grandes dilemas é o cantinho dos dois. No meu caso, ainda estamos em busca de uma casa. Como diz o ditado: “Quem casa quer casa”. E é verdade. Mas os precinhos estão um tanto salgados. Por isso, você pode optar pelo aluguel. Invista numa casinha pequena e com um pequeno aluguel, afinal de contas, no início serão só os dois mesmo, enquanto procuram a sonhada casa própria.

            Partimos então para a busca de um belo local para a realização desse sonho. Confesso que achei essa a melhor parte, pois todas as casas de festas oferecem uma degustação. Gostamos tanto da idéia, que quase tornamos um roteiro de todo sábado a noite. Além de conhecer novos locais, lanchamos sem pagar nada (nessa época temos que economizar em tudo, risos!).

            O local deve agradar aos noivos, não adianta apenas um gostar. E nada de querer ostentar sem poder. Um lugar simples, com uma bela decoração, deixará todos de queixos caídos. Procure um salão que disponibiliza serviço de buffet. É mais prático e eu acho que sai mais em conta, sem contar com menos uma preocupação.

             Fotografia e filmagem. Quem num quer guardar pra sempre esse belo momento? Não feche com o primeiro que encontrar. Pesquise bastante antes. Peça para ver as fotos que ele já fez e os vídeos também. Às vezes você pode achar que um profissional está te cobrando baratinho e vai nele, mas a qualidade do trabalho pode não ser legal. E tem muitos cobrando um pouquinho a mais (R$ 100,00, 200,00) e oferecem mais coisas, do tipo: maior quantidade de fotos, banner, foto externa, CD com todas as fotos, telão, filmagens e muitos outros atrativos.

 

 

             Você não pode esquecer de fazer o repertório com as músicas: entrada do noivo, dos padrinhos, da noiva e se tiver alguém que vá cantar, etc, etc, etc. Hoje em dia não se usa mais as famosas lembrancinhas. O que você pode fazer é caprichar no bem casado. Mas se quiser fazer um agrado a seus convidados, faça! Não se esqueça que essa noite é sua. Você tem que realizar o seu sonho.

             Resolvidas essas questões, que tal partir para a escolha da roupa do grande dia? Tenho que fazer outra confissão. Senti-me uma diva, uma princesa, uma miss, e muito mais. É muito divertido e emocionante esse momento. Ainda mais como foi comigo. Fui com minha mãe em apenas três lojas. E fui super bem tratada nas três. Em uma, quem me atendeu foi a proprietária e na outra, tive uma sala exclusiva, cheia de espelhos e ar condicionado só para minha mãe e eu. Senti-me uma pop star.

            Vestido escolhido, mistério para as amigas e principalmente, para o noivo. Nada melhor que um clima de suspense. Ah! Outra dica. Essas lojas costumam fazer descontos e/ou pacotes se você levar mais pessoas da sua festa para alugar lá. E tem mais, algumas delas diminuem o valor do vestido da noiva, dependendo da quantidade de vezes que foi utilizado. E outra, tem lugar que no aluguel da noiva inclui as bijouterias, sapato, luvas e todos os acessórios. Vale a pena perguntar!

             Outro problema que nos aflinge, é a lista de convidados (eu já tive de cortar um monte de gente) e o abençoado convite. Uma amiga me falou uma coisa, e eu parei pra pensar... é verdade. Não vale a pena gastar muito com isso, já que muita gente joga fora. Normalmente os que guardam são os familiares mais próximos. Então você pode escolher um modelo mais moderno (que eu tenho achado mais barato), se você souber fazer, melhor ainda.

             Tem muita gente que acha feio (eu mesmo pensava assim, mas vou adotar) colocar lista de presente em algumas lojas e ainda anexar ao convite um cartãozinho da loja. Mas, sabia que isso é uma das melhores coisas? É sim, com esse novo método, dificilmente você terá presente repetido. E se mesmo assim ganhar algo que já tenha, você pode ir a loja e trocar por outra coisa que esteja precisando.

              Outro detalhe que todos estão adotando, são os bonequinhos de biscuit personalizados. A maioria dos casais está colocando seus pontos fortes nesse item e os valores que eu pesquisei, variam de R$ 80,00 à R$ 100,00.

              Não podemos esquecer de dar entrada nos papeis no cartório. Para isso, prepare seu bolso, que lá se vão mais uns R$ 400,00 e deve ser feito com três meses de antecedência. Assim como o check-up. Isso mesmo, faça todos os exames médicos necessários. Comece essa nova vida com todos os problemas, se é que há algum, sanados.

 

 

              E, para ficar relaxada no momento do tão esperado sim, que tal passar o dia em um spa? Isso mesmo, o famoso dia da noiva. Lá você vai encontrar serviços de massagens relaxantes, banhos para hidratar e relaxar a pele, maquiagem, cabelo, manicure e pedicure, entre muitos outros. Existe salão de festa que possui equipe especializada. E ainda fazem o making-off.

              Depois de ter pensado em tudo isso, ainda falta uma coisa: a lua-de-mel. Tem salão que também oferece três dias em um determinado local. Mas se o seu salão não lhe oferecer isso, faça que nem eu. Tenha cara de pau e veja se seus amigos e parentes não conhecem ninguém no local em que deseja, para emprestar casa (risos!). Sem essa de que “isso é feio”, ou ficar com vergonha. Se gasta muito na produção do casamento, então porque não economizar agora? Caso não consiga, veja se um dos padrinhos não quer dar de presente.

             E você pensou que era fácil casar, né? Dá um pouquinho de trabalho, mas estou adorando toda essa agitação. E todas as minhas amigas, que já passaram por esse momento, dizem que não se arrependem e fariam tudo outra vez. Pode ser cansativo, estressante, mas sei que vai valer a pena. Afinal de contas, qual menina nunca sonhou em se casar?

 
 

E o sonho não acabou...

 

 Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br  

 

                    Falar dos anos 80 significa ouvir ecos deixados pelas duas décadas anteriores a esta, para entendermos o que de fato influenciou esse período cultural a que chamam híbrido O termo empregado sintetiza a mistura de conceitos trazidos por movimentos relacionados à música, à moda, ao cinema e às várias manifestações artísticas que caracterizaram essa década.

                    Nos Anos 60, o comportamento hippie e as artes psicodélicas dão o tom da juventude que, aos poucos, adere ao modo de ser soturno e agressivo do punk ou ao estilo colorido, descompromissado e hedonista na onda da discoteca e da música pop.

                    Já os anos 70 trouxeram, além da efervescência da discoteca, os filmes de catástrofe, os primeiros passos do hip-hop e a música eletrônica, o auge e a morte do rock progressivo e um vestuário que deu uma identidade toda particular para a época. Foram fatos, movimentos e estéticas que ajudaram a esquecer definitivamente as utopias da década de 60 e a lançar as bases do que seria a vida a partir dos anos 80.

                    Logo no começo da década de 80, novas tecnologias de comunicação e de entretenimento aproximaram culturas e mudaram estilos de vida e formas de fazer negócios.. Essas inovações tecnológicas, junto principalmente com a música, a moda e o cinema, ajudaram a cultura pop a se consolidar como um fenômeno global e dominante nesse período.

                   No setor de entretenimento, o filme De Volta Para o Futuro, a trilogia que tornou Michael J. Fox um astro, no papel do adolescente Marty McFly que viaja para o passado e para o futuro na tentativa de melhorar sua família, é uma coletânea de símbolos dos anos 80: da moda dos tênis Nike à onda do skate.

 

 

                  O visual do jovem mudou nessa década. Os cabelos encaracolados e longos, tão comuns nos anos anteriores, cedem lugar ao estilo mullet usados pelos cantores e músicos. O corpo ganha importância e a cultura das academias de ginásticas pegam carona no vigor de Madonna. O uso de peças de roupas esportivas entram na moda juntamente com as ombreiras e as sobreposições de peças, um dos subgêneros do pop-rock oitentista, são exemplos dessas características visuais que diferenciaram os anos 80.

                 No Brasil, a onda das trilhas sonoras das novelas enriqueceram indústrias fonográficas (como a Som Livre) lançando vinis, em cujas capas estampavam a foto do ator ou atriz principal da trama. Assim, qual adolescente não gostaria de ter em sua discoteca particular a jovem Cláudia Raia posando de corpo inteiro num minivestido vermelho ( novela Sassaricando), ou aquele homem completamente nu na capa de “Brega e Chique”?

 

 

                 Na carona das capas que vendiam discos vinha o “Xou da Xuxa” e “O Balão Mágico,” embalando a criançada da década de 80 com músicas que se transformaram em clássicos de festas da galera miúda. Quem não se lembra de “Amigos do Peito” cantada por Simony, Jairzinho e com participação especial de Fábio Júnior? Mas a rainha dos baixinhos arrasava com “ Ilariê”, fazendo pequenos e grandinhos sacudirem o corpo sem parar.

                 Nos anos 80 a moda se transformou em profissão lucrativa. Por conta disso, a televisão realizava o imaginário da época e revelava rostos e corpos bonitos em novelas que faziam a cabeça dos espectadores. A novela Top Model (1989), por exemplo, tinha na trilha sonora a música “Passarela Nova Era” que traduz bem o espírito dessa década que se encerra com a abertura política no Brasil.

 
 

Comportamento: Mulheres, mulheres, uma vida à parte

 

 Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br

 

Chegamos ao mês mais feminino do ano, e vou me ater a este onde uma simbólica data (em genial jogada de marketing político com este gênero, o feminino, que é a maioria mais minoria AINDA do planeta) faz recordar (eu não, confesso, até porque não esqueço esta minha condição de “mulherzinha”) que as mulheres evoluíram em seus direitos desde a "Era de Neander", o que se achava o tal, que o nosso sexo frágil cada dia mais se comprova muito mais forte e capaz, que as conquistas em diversos setores da chamada evoluída sociedade capitalista (esta mesmo, que está ao seu lado, em crise aguda de rins, mas que não vai morrer tão cedo) demonstram o quanto conquistamos a sangue, suor e batom nosso espaço no cenário mundial... Blábláblá.

 

 

 

 

 

 

Perdoem-me as colegas de redação e as leitoras mais radicais, adeptas do feminismo, mas acho que, nós, como toda a raça humana, mesmo com todo o avanço e conquista, em certos aspectos morais... involuímos. E dois filmes também me evocam algumas considerações que passaremos a tecer (no melhor estilo feminino).    

 

 

 

 

 

 

 

Um deles, O sorriso da Monalisa, como a paródia feminina do poético e libertador Sociedade dos poetas mortos, onde um Robin Williams inspirado, antes do estrondoso sucesso travestido como a babá mais legal do planeta (aliás, eu ainda prefiro este ator em papéis dramáticos como este do “Sociedade...”pois o considero caricato demais para comédia) era um professor de Literatura que incitava seus alunos a uma nova visão a respeito da vida, da educação, da cultura, e de como se colocarem perante uma sociedade hipócrita (cada dia mais, observo) de acordo com suas tendências naturais.

Foi um marco em minha vida assistir a um professor subir em carteiras escolares e convocar seus alunos a fazerem o mesmo, e de certa forma isto me influenciou tão fortemente até os dias atuais. Aliás, confesso que inicialmente quando percebi a similaridade entre as obras não me julguei feliz em ver a Sra. Roberts, livremente inspirada no seu colega de dramaturgia, com a imensa responsabilidade de conduzir a classe de meninas às reflexões que contradiziam as regras de ouro da escola (que era uma escola de “formar esposas”, a grosso modo).

 

 

 

 

 

 

Mas, serviu para minha primeira reflexão na época: concordo que a emancipação feminina vai além de casar, ter filhos, cuecas e fraldas para lavar, fora o lar, doce lar para arrumar e otras cositas más. Comecei a pensar também que esta crescente onda da mulher querer cada vez mais se equiparar aos homens em gestos como liberdade sexual, encarar profissões tidas como masculinas ou mesmo adotar posturas antes contidas, e tidas, como transgressoras para as mulheres até a década de 80, como fumar e beber até “cair, levantar”, não foi exatamente o positivo de nossa emancipação.  

 

 

 

 

 

 

 

 

O outro filme que nos remete a uma reflexão grande é Mulheres Perfeitas, onde Dona Nicole Kidman vai parar com o marido Matthew “Curtindo a vida adoidado” Broderick em uma cidade onde as mulheres são as perfeitas “do lar” e ela descobre que na verdade foi um chip de computador que programou as esposas e fez este padrão de comportamento se repetir pelo bairro inteiro. Vamos lá: que moral se tira deste episódio? Que apesar de tudo o que conquistamos, através de mulheres como Indhira Gandhi, Elizabeth I, Chiquinha Gonzaga, Simone de Beauvoir, entre outras, tudo o que nossa evoluída sociedade capitalista quer de nós é apenas a nossa porção “do lar” para o mundo moderno.

 

 

 

 

 

 

E, segundo o papa pop “Chico” Bento XVI a culpa é da máquina de lavar pela emancipação e liberação femininas... Sim, e do micro-ondas também! O que seria do nosso tempo livre sem o querido micro, para em tempo recorde nos livrar da árdua tarefa de esperar o fogo fazer o trabalho todo no fogão sozinho! Então, este filme demonstra que nossa sociedade continua machista e acreditando piamente que, mesmo que aquele empresário bem-sucedido tenha uma chefia feminina de alto gabarito e diversas qualificações, ela bem que poderia ser apenas a companhia forno&fogão mais aconchegante “que um homem merece”. Merece?

 

 

 

 

 

 

Merece é que repensemos... Que apesar das Beauvoirs, das Dilmas, das Marinas Limas e Mírians Leitão de nossas vidas, ainda existem muitas Piovanis, muitas Suzanas, muitas bbb’s... Que acabam levando o mundo masculino a cometer o engano de realmente desejar apenas uma “Amélia” ao seu lado, quando pensam nas Galisteus e nas Gimenez que ainda podem acordar ao seu lado... E o que é ainda pior, ficar ao seu lado.

 
 

Do tempo da vovó

 

Tatiana Bruzzi - editora tatibruzzi@yahoo.com.br  

  

Adolescentes adotam os velhos diários de papel  

Eles são pequenos e podem ser carregados em bolsas, mochilas, pastas e até nas mãos. Apesar do tamanho, são capazes de guardar seus maiores segredos. Ótimos conselheiros, nunca irão questionar suas atitudes e muito menos virar-lhe as costas. Quer dizer, a não ser que o deixe de lado e abandone-o, no fundo de uma gaveta qualquer. 

Numa época onde tudo é digitalizado e a globalização já não é mais um bicho-de-sete-cabeças, adolescentes deixam de lado o uso de blogs e fotologs para descobrir o prazer de escrever nos diários de papel. Caderninhos, agendas ou o próprio diário, com direito a chave e cadeado, não importa. A graça está em registrar pensamentos, sonhos, medos ou simplesmente fatos do dia-a-dia.

 

 

 

Se na época de nossas mães e avós o grande barato era colocar para fora o que não tinham coragem de relatar com qualquer um, hoje muitas jovens veem nos diários uma alternativa de, mais tarde, dividir experiências, recordar momentos marcantes ou ainda rir, e chorar, com histórias já vividas. Além disso, ele é um ótimo confidente para os tímidos, que precisam lidar constantemente com as dificuldades em se expressar. “Quando criança era uma menina muito tímida. Seguindo o conselho da minha mãe, adepta do diário na juventude, comecei a escrever. Na época estava com nove anos. Hoje, não consigo mais me ver livre dele”, admite Mariana Sabah, 19 anos.

 

 

 

Segundo Mariana, assim como ela suas amigas também são a favor das anotações no papel. E, mesmo admitindo que possuem perfis em sites de relacionamentos, como Orkut e Facebook, garantem que ao contrario do caderninho, na internet não se pode colocar qualquer coisa. “A historinha de hoje pode tomar uma proporção maior do que a esperada”, observa Fernanda Tavares, 17 anos.

A jovem ainda aproveita para frisar que um diário é algo muito íntimo e pessoal. Por isso, ela não concorda nem mesmo em “abrir” seus segredos para as pessoas. “Conheço meninas que trocam seus diários com as amigas. Não concordo, mesmo se tratando de uma pessoa muito confiável como mãe ou irmãos”.

Não dá para negar, quem se acostumou a fazer anotações em diários ou agendas, não consegue se livrar tão facilmente do vício. E muitas vezes, para que isso se concretize, ou sua rotina não seja interrompida, o jeito é dar um crédito de confiança. Em depoimento ao jornal Folha de São Paulo, a estudante de jornalismo Ana Carolina Ferreira, 21 anos, conta que durante as férias esqueceu sua agenda na faculdade. Como não sabe ficar sem escrever nela, combinou com uma amiga de enviar por e-mail suas anotações, para que ela atualiza-se em seu lugar. “Foi a maior prova de amizade que eu já dei para alguém”, confessa.       

A volta dos diários convencionais entre jovens e adolescentes tende a provocar uma queda na procura pelos eletrônicos. E isso já tem sido notado no mundo dos negócios virtuais. De acordo com dados do site Technorati, responsável pela monitoração da blogosfera, há dois anos cerca de 120 mil diários eletrônicos eram criados por dia. Já em 2007, o número total de blogs registrados chegava a 70 milhões e hoje, não deve passar dos 100.

 

 

Quando o objeto se torna a personagem principal

 

 

            Sucesso entre o sexo feminino, o diário já serviu de papel principal para um grande sucesso do cinema. Quem nunca viu, ou ouviu falar no filme O Diário de Bridget Jones? A produção narra a história de uma mulher, já na casa dos trinta, que insatisfeita com sua vida pessoal e profissional decide, na noite do ano novo, tomar o controle de sua própria vida.

A primeira decisão de Bridget (vivida pela atriz Renée Zellweger) é escrever um diário narrando cada passo tomado durante o dia. Além disso, ela registra no caderninho suas opiniões sobre os mais diversos assuntos. Principalmente sua vida amorosa. O livro acaba se tornando o mais provocativo, erótico e histérico de todos os tempos.

 

 

 

            Fez tanto sucesso que recebeu duas indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro. Além disso, rendeu uma continuação denominada Bridget Jones – No limite da Razão. Já o livro, escrito por Helen Fielding, que deu origem ao filme, foi consagrado um fenômeno editorial ao permanecer na lista entre os mais vendidos, no final da década de 90.  

 

 
 

Taty entrevista Rose

   

Tatiana Bruzzi - editora tatibruzzi@yahoo.com.br   

 

1 - Quem é Roseane Marassi?

2 - Me revele um sonho, uma frustração e uma saudade.

3 - O que é pior: dias nublados ou sinal fechado? Por quê?    

4 - Para você o que é, e como é, ser espetaculosa?   

5 - Complete a frase: 2009 é o ano...

 

 

R: Não sei, rs... Acredito que a resposta esteja entre meias coloridas, arte, brigadeiro e música... ou talvez entre preguiça, silêncio, carinhos e incertezas.
 
R: Um sonho: morar num lugar tranquilo vivendo da minha arte. Uma frustração? Ter ficado calada, algumas vezes. Uma saudade... adolescência e tudo que havia nela.
 
R: Sinal fechado, ainda mais agora que estou aprendendo a dirigir.. RS... Cariocas não gostam de nenhum dos dois né, mas ficar parado esperando a minha vez me deixa impaciente.
 
R: Espetaculosa é toda mulher que vê a vida de forma positiva. Tem uma carreira, gosta de estar atualizada, viajar, sem deixar de ser feminina e de estar na moda. Ser espetaculosa tem sido um presente mensal, me sinto realmente feliz por fazer parte dessa equipe que promete arrasar esse ano.
 
R: de conquistar.  

 

Roseane Marassi - Consultora de Moda freakzinha@hotmail.com  

 
 

Rose entrevista Carol

 

  Roseane Marassi - Consultora de Moda freakzinha@hotmail.com

 

1- Pelo que sei você vai nos contar sobre países que visitou recentemente. Como é pra você esse momento de sentar e relatar o que de mais interessante presenciou?
2- De todos os lugares que você possa imaginar, em qual lugar se sente em paz?
3- Você poderia nos revelar uma qualidade e um defeito seus?
4- Que artista te inspira e por quê?
5- Nos conte com sinceridade: costuma ler tudo o que é postado no Espetaculosas? Além da sua, qual a coluna que mais te chama a atenção?

 

 

 

1 - Fico muito feliz em poder dividir a experiência maravilhosa que eu tive fora do Brasil. Vi coisas que acredito que todo brasileiro deveria aprender. Me senti muito triste quando voltei. A diferença cultural e social é realmente muito grande. O Brasil, com seus 500 e poucos anos, ainda tem muito que aprender com os mais velhos.

 

2 - Pergunta difícil. Acho que em qualquer lugar onde eu possa ouvir uma boa música e apreciar alguma paisagem. Se bem que, depois dos Alpes, fica difícil pensar num lugar mais silencioso e calmo.

 

3 - Defeitos são vários, mas o pior é a falta de coragem. Sou bem medrosa, admito. Qualidade, eu sou... não dá pra vocês me dizerem não?

 

4 - Muitos artistas me inspiram a toda hora. Sou uma pessoa eclética em tudo. Motivada pelo que ouço, pelos ritmos, pelo que vejo, enfim, tudo me inspira!

 

5 - Me pegou hein. Não consigo ler tudo que nosso Espetaculosas publica, infelizmente. Eu não tenho uma coluna que mais gosto, a cada edição dou uma passada por todas elas e se vejo algum tópico que seja do meu interesse clico e leio! 

 

 

 Carolina Andrade - Redatora  carol_andrade@hotmail.com 

 

 

 
 

Carol entrevista Nanda

 

  Carolina Andrade - Redatora  carol_andrade@hotmail.com   

 

 

1 - Qual o seu maior sonho?

2 - Como você vê a crise financeira que estamos enfrentando? Ela te atingiu de alguma forma?

3 - Já cometeu alguma loucura por conta de uma TPM desenfreada?

4 - O que te deixa feliz? E o que te deixa triste?

5 - Está no Espetaculosas desde o começo? Qual a matéria mais trabalhosa que você já fez pra nós?

 

 

 

 

R: Não tenho um sonho pessoal, tenho um sonhe coletivo. Estou numa fase Martin Luther King, queria que o mundo fosse diferente. As pessoas estão muito autodestrutivas e isso me entristece.

 

R: Atingir-me não atingiu porque eu acredito que toda crise financeira é um reflexo do teu estilo de vida. Há muito tempo estou numa crise. RS... Seguindo este raciocínio, o mundo capitalista consumista só esta colhendo o que não plantou. Ou seja, tudo aquilo que ele poderia ter feito em termos de reservas mundiais ele preferiu transformar em papéis e em dívidas ativas.

 

R: Confesso a você que só tive crise de TPM depois dos trinta. E mesmo assim, não reconhecida. Não posso garantir que foi TPM porque vivo em crise. Aliás, todos dizem que TPM dá raiva e depressão, como eu vivo assim, não posso dizer se é ou não. 

 

R: Crianças felizes. Uma criança sofrendo. Ainda acredito muito na infância. 

 

R: Sim. Não diria trabalhosa, mas talvez a mais melancólica. Refiro-me ao caso Eloá. Aquilo realmente me deixou muito triste. 

 

 

Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br   

 
 

Nanda entrevista Maria

 

  Fernanda Barbosa - redatora nandarj73@yahoo.com.br

 

1- Além de jornalista, você também é professora. Quais as melhores e piores lembranças da época em que lecionava e em que elas se parecem e diferem em relação aos dias atuais?

R: O exercício do magistério é uma árdua e grata missão para quem se dedica e gosta desta profissão. Seria redundante explicar por que é árdua diante da triste realidade em que se encontra a educação no Brasil. Aqui, os governantes estão mais preocupados com resultados de provinhas, que estatisticamente possam justificar os altos investimentos feitos em programas sociais, do que com a educação em si como forma de mobilidade social do indivíduo. O bolsa família, por exemplo, é um programa que sustenta discursos, garante reeleições, mas não evita a evasão escolar. Prova disso são casos de jovens estudantes que trocam o caminho da escola por rumos que lhes sejam mais lucrativos. Somado ao desestímulo do aluno, muitas escolas funcionam sem o mínimo de segurança e conforto. Muitas não têm nem carteiras para alunos sentarem e materiais adequados, para que tenham o prazer em aprender. Estes são alguns pontos negativos que desestimulam o profissional comprometido com a educação. Entretanto, é muito gratificante quando o educador é reconhecido pelo seu trabalho e considerado como um amigo que abriu caminho para o futuro de muitos jovens.

Entre muitas boas lembranças que tenho do meu tempo de professora, guardo como trunfo uma história da superação de uma aluna. Aos 10 anos de idade, Lu foi matriculada na escola pública e estava muita atrasada em relação à turma.  Mas o baixo rendimento dessa menina logo se justificou após a tia me contar seu drama. Aos dois anos de idade, Lu estava no colo da mãe quando o avião em que viajavam caiu na floresta Amazônica. A criança foi a única sobrevivente da tragédia. Desde então, além de traumas físicos, que a deixou sem andar por muito tempo, a sequela psicológica quase tirou sua vontade de continuar a viver. Sua história comoveu a todos. E assim, empenhada em ajudá-la, consegui fazer com que os alunos colaborassem com sua locomoção pelos compartimentos da escola e a ajudassem nas tarefas de aula. Lu  alcançou a turma e sua alegria voltou. O tempo passou. Num domingo, a campanhia de minha casa tocou.  Diante de mim, estava uma linda mocinha com um bolo de chocolate nas mãos, dizendo que era uma homenagem pelo dia das mães. Ás vezes é difícil separar o papel de professora do sentido maternal.

2- O que a levou ao jornalismo?

Sempre gostei muito de ler e escrever. Fui aprovada no vestibular para Letras da Estácio, mas como eram poucos os inscritos nessa cadeira, e a faculdade não conseguiu fechar uma turma, me sugeriram outros cursos que fossem da área de Ciências Humanas. Escolhi Jornalismo e acho que fiz a opção certa.

3- Para você como é participar do Espetaculosas?

Participar de Espetaculosas é muito gratificante porque neste espaço posso expor minhas ideias de forma independente, democrática e dividi-las com leitores e amigos muito especiais.

4- Qual a melhor experiência pela qual passou, seja na vida pessoal ou profissional?

Quando escrevi o livro "Histórias que tocam", em parceria com minha irmã Marielza Neves, pude voltar no tempo e no espaço, revivendo a minha infância e as histórias de minha família. Foi muitíssimo gratificante entrevistar amigos de infância do bairro onde me criei e compartilhar com eles as memórias de momentos e fatos que marcaram nossas vidas.

5- Você tem saudades de quê?

Na memória de quem já viveu muitas primaveras, vai ficar sempre o perfume das flores que respirou na juventude. Este aroma é único.

 

Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br     

 

 
 

Maria entrevista Rô

 

 Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br    

 

Roberta Marassi é uma garota multimídia. Plugada e sintonizada com todos os meios de comunicação, aos 10 anos de idade despertou seu talento jornalístico quando lia os textos da prova de história diante de um espelho. Naquele momento, viu refletido no armário da mãe o sonho de ser apresentadora de telejornal. Mas o tempo foi passando e outras competências foram surgindo, além de gostar de ler e escrever. O gosto de rimar quadrinhas serviu de pontapé inicial para desenvolver a arte da poesia.  Assim começou como letrista de suas próprias melodias, mesmo sem tocar nenhum instrumento musical. Roberta acreditou em seu talento e acrescentou mais este ao seu repertório cultural. Persistente, depois de formada em Jornalismo, a garota multimídia ingressou na pós-graduação em Telejornalismo até que se transformou em uma das redatoras do blog Espetaculosas.

 

1- Com tanto gosto pelo telejornalismo, quais chances ou convites surgiram para você trabalhar nessa função?

 

R: Bom, fui convidada a fazer um teste de vídeo pelo editor de imagens do Bom dia Brasil em 2004. Ele disse que gostou muito do meu desempenho diante das câmeras, e que iria enviar a fita para o departamento de pessoal junto com o currículo. Na época ainda não tinha nem entrado na pós. Depois disso, surgiram alguns projetos com amigos, mas não foram à frente.

 

2- Você fez algum curso para aprimorar a dicção, postura, enfim dicas para ser um bom apresentador de telejornal?

 

R: Quando mais nova, fiz fonoaudiologia por alguns anos, pois tive de usar aparelho ortodonto. Mas sempre que saía da consulta, tinha curso de inglês, onde a professora mandava falar colocando a língua na frente dos dentes, o que atrapalhava todo o processo de fono. (risos).

 

3- Na sua opinião, o jornal Nacional mantém a liderança de audiência no horário porque é uma produção da TV Globo ou porque tem o casal Bonner e Fátima como apresentadores?

 

R: A TV Globo é uma das maiores emissoras do país, e o Jornal Nacional é o mais antigo telejornal que ainda está no ar. Talvez, essa junção seja o ingrediente que mantém essa liderança. O entrosamento do casal e a bagagem que juntos acumulam, a experiência e busca por melhor qualidade, seja na técnica ou nas matérias, ajuda muito também.

 

 

Roberta Marassi - Redatora robertamarassi@yahoo.com.br        

 
 

Rô entrevista Taty

    Roberta Marassi - Redatora robertamarassi@yahoo.com.br     

1) Quando decidiu que seria jornalista? 

R: Quando estava na oitava série, devido ao hábito de ler muito jornal e revista. Aliás, minha mãe conta que, quando eu ainda nem sabia ler, passava horas observando o jornal. Depois disso, por ordens médicas, ela passou a me dar revistinhas em quadrinhos.  Foi aí que tudo começou.

 

2) Alguém te inspirou? 

R: Não diria um profissional em especial, embora eu admire alguns, e sim as publicações que gostava de ler. Queria fazer aquilo. Também costumava assistir filmes em que retratavam profissionais dessa área. Vi O Jornal e me identifiquei muito com aquela rotina. Quer ouvir algo engraçado? Quando visitei a redação da extinta revista Manchete, o editor citou esse filme e teve as mesmas impressões e desejos que eu. Ele também se via na correria de uma redação, se embebedando de café e mastigando o copinho plástico. 

 

3) E a família, incentivou ou teve alguém que foi contra? 

R: No funda acho que ninguém gostou muito, já que nunca ouvi palavras de incentivo. Pelo contrário, quando dizia o que queria fazer, meu pai colocava mil defeitos e sempre mudava de conversa, tentando me convencer a fazer outra coisa. Quando me inscrevi para o vestibular, ele chegou a me oferecer uma academia se eu fizesse educação física. Montaria ela enquanto eu estudava. RS... Mas, em momento algum da minha vida eu tive dúvidas ou me arrependi. Jornalismo é minha vida!!!   

 

4) Porque decidiu fazer jornalismo? 

R: Porque amava escrever e acreditava que, nessa profissão, eu teria condições de aprender sobre diversos assuntos, vivenciar outras culturas e assim passar adiante, para aqueles que tivessem menos oportunidades que eu. Afinal, quando bem aproveitados, os veículos de comunicação podem ser ótimas fontes de conhecimento.    

 

5) Como você via o curso no início (suas ilusões quanto à profissão) e como vê depois de formada? 

R: Quando entrei, tudo era muito novo e diferente para mim. Me empolguei somente em ver a grade e saber que aprenderia coisas novas. No decorrer do curso, a gente encontra disciplinas bem legais em termos técnicos. E outras que acrescentam muito, em termos de conteúdo acadêmico. Agora, nada como colocar em prática o que se aprende na teoria. Nunca criei ilusões quanto a profissão, como sair de lá direto para o JN. E hoje acredito ter cometido uma única falha. Deveria ter procurado estágio fora mais cedo, o que não fiz por acreditar que o da faculdade teria certo peso. Tornei-me uma boa profissional, isso de acordo com colegas e professores, mas no mercado minha experiência não tem muita credibilidade.  

 

6) Você é pós graduada em jornalismo cultural, porque decidiu seguir esse rumo?

 R: Porque sempre me identifiquei com a arte, de um modo geral. Amo cinema, teatro, música, TV, fotografia, exposições... Meu sonho sempre foi trabalhar com isso, ser crítica de cinema, cobrir exposições de arte, festivais de música... Ou seja, escrever sobre esse meio. 

 

7) Existe algum lugar em que seria seu sonho trabalhar, seja empresa e/ou país. Qual?

 

R: Se eu pudesse viver somente do Espetaculosas, viveria muito feliz... Qualquer lugar em que eu pudesse produzir, de forma que sentisse prazer e retorno de satisfação, ao ver meu trabalho reconhecido (o que difere de retorno financeiro). Se fosse ditar um veículo eu diria a revista Carícia, que serviu de inspiração para mim. Mas, ela já não existe mais. RS... Como eu amo escrever, e me identifico muito com o perfil de revista, citaria publicações com o mesmo seguimento como Capricho, Marie Claire, Cláudia, Elle, Cosmopolitan... Gêneros feminino e/ou adolescente. Agora, já passei por quatro seleções na TV Globo (Projac) e confesso que, se fosse para escolher televisão, gostaria de ir para lá. Por se tratar de uma grande empresa da área de comunicação e entretenimento, que me parece valorizar seus profissionais e, principalmente, público alvo.  

 

8) E onde você não iria nem por 1 milhão de euros?

 

R: Para um lugar que não me deixassem exercer a profissão de forma ética, que fosse contra meus princípios. Onde eu percebesse que não estava produzindo e muito menos, crescendo profissionalmente.   

 

9) Sendo especialista em jornalismo cultural, como você vê o mercado de trabalho nessa área?

 R: Não acho o mercado ruim, em termos de espaço, veículo. O problema é a banalização da profissão. São pessoas que entram sem terem formação, paixão, dom. Você é ex-reality show, vira repórter. É modelo, vira apresentador... E por aí vai. Se esquecem que a pessoa para ser jornalista precisa gostar de ler, escrever bem, se atualizar, estudar leis, éticas, técnicas... Ganha pouco, trabalha muito, não tem sábado, domingo, feriado... E ainda corre riscos. Uma vez me disseram que nesse meio não havia problema, pois se trata de entretenimento. Calma que não é por aí! Eu estudei história da arte, Crítica literária, Cultura Brasileira, Cinema, Fotografia... Conheço tantos amigos que dariam ótimos profissionais nas áreas de TV, fotografia, web... Só lhes faltam oportunidades. Já pensou o que seria do paciente se um dia alguém acordasse com vontade de ser médico? Isso não acontece com carreiras desse tipo, da mesma forma que acontece com o jornalismo. Basta! E não falo só por mim, mas toda uma classe. Artistas defenderam sua arte, derrubaram a ditadura. Larry Flint foi aos tribunais lutar pela liberdade, derrubou uma sociedade falsa puritana. Estudantes foram às ruas de cara pintada, expulsaram um presidente. Eleitores votaram, elegeram o primeiro presidente negro da maior potência mundial. Isso não precisa ser apenas fatos para serem contados nos livros de história.     

 

10) As mídias têm valorizado a cultura brasileira?

 R: Não tanto quanto deveriam. Quando se pensa em cultura brasileira, logo nos revertemos para o carnaval. O problema é o Brasil ser bem mais que isso, e nem todos tem acesso ao que ocorre pelo país. Além do carnaval, há Festa de São João, Festa da Uva, Festival de Parintins...  Ano passado descobri, por um acaso, que existe uma cidade no interior de São Paulo onde o lobisomem, personagem de histórias de terror, é seu anfitrião. Ou seja, a cidade sobrevive graças ao turista que vai lá conhecer de perto a capital do lobisomem, ouvir as histórias, comprar lembrancinhas... É quase o Mickey brasileiro. Isso é cultura, e aqui no Brasil. Mas, você ficou sabendo? Se leu o Espetaculosas, sim. RS...   

 

11) Você acha que alguma coisa poderia ser melhorado, o que?

 R: Muitas coisas!!!  No mundo, a intolerância. No Brasil, saúde, educação, sistema penal... Em mim, gostaria de ser mais corajosa e menos depressiva.  

 

12) Além do Espetaculosas, você escreve pra mais algum veículo? Qual?

 R: Sim. Atualmente assino a coluna OlharTV no site WWW.natelinha.uol.com.br , onde faço críticas sobre programas e/ ou assuntos relacionados a TV (aberta e fechada). 

 

Tatiana Bruzzi - editora tatibruzzi@yahoo.com.br      

 
 

A arte de ensinar

   Maria Oliveira - redatora mariinhaoliveira@yahoo.com.br     

 

Com a volta às aulas, em fevereiro, a Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro terá um novo desafio pela frente: colocar em prática o fim da aprovação automática, uma das promessas do prefeito Eduardo Paes. O assunto ocupou espaço na mídia antes e pós-campanha eleitoral, o que demonstrou empenho de todos  os segmentos da sociedade em promover a qualidade do ensino público. Entretanto, há de se esclarecer sobre o verdadeiro papel do professor no processo ensino-aprendizagem, para que frases do tipo “professores não ensinam direito ou que a escola não ensina mais”, sejam evitadas por pessoas que não têm conhecimento de causa.

 

Segundo o educador Paulo Freire, o professor deveria se comportar como um provocador de situações, um animador cultural num ambiente em que todos aprendem em comunhão.  Ele rejeita qualquer prática em que o aluno seja apenas um mero depositário do conhecimento. Esse sistema de ensino se caracteriza pela presença de um educador que ensina, mas não interage com o educando:  reprova e resolve a vida do aluno com provas, notas e conceitos. Portanto, há uma grande diferença entre ensinar e fazer o aluno aprender.

Ensinar requer uma dose muito grande de paciência e afetividade para que a aprendizagem se realize.  O professor consegue essa sintonia quando gosta do que faz e  respeita o conhecimento do aluno, fruto do seu meio. Ao perceber que a escola considera, aceita e valoriza algum tipo de competência que ele traz de casa, além das tradicionais, esse aluno desperta a vontade de aprender. O desafio agora é fazer esse processo acontecer dentro desse contexto social em que a escola pública se encontra.

 

 

 

O grande contingente de crianças matriculadas na rede municipal vem de  famílias carentes. Estas transferem para os professores suas funções de educar e cuidar dos filhos, uma vez que, em casa, todos trabalham o dia inteiro. Sendo assim, a falta de carinho e atenção dos pais produzem insatisfação nas crianças e jovens que respondem de diferentes maneiras. O  baixo rendimento escolar e a violência física são exemplos de reações comuns nas escolas públicas. Não por acaso, os jornais mostram professores sendo agredidos por alunos e vice-versa. Sendo assim, não é fácil cultivar um ambiente favorável para ensinar, diante de tantos problemas socias  e emocionais que precisam ser sanados antes de a criança ser matriculada.  

Portanto, com o fim da aprovação automática, além de mestre, “tio”, pai ( nas horas vagas), o professor também decidirá sobre o futuro do seu educando. Talvez até  recupere o “poder” de reprovar e “peneirar” a turma para ministrar melhor os conteúdos planejados. Mas ser juiz do próprio discípulo não seria julgar a si mesmo? Afinal , de quem é o aluno e por que o desempenho dele não foi suficiente para  sua promoção?  A família participou da vida desse aluno? Houve empenho da equipe pedagógica? O que faltou para que o professor acompanhasse  periodicamente o seu desempenho junto ao aluno? Quais recursos a escola dispõe para apoiar o corpo docente e discente?

 

 

 

 

Como professora, que acompanhou várias mudanças de sistemas de avaliação - inclusive alfabetizei dentro do modelo de ciclos e progressão -, o meu quetionamento é o seguinte: com o fim da aprovação automática, não haverá risco de voltarmos ao velho problema da  escolaridade  incompatível com a idade, ou seja, alunos repetentes e com idades avançadas na mesma turma de iniciantes? Só para lembrar: aluno de escola pública não tem condições financeiras de pagar um professor particular para se recuperar. Portanto, se a Prefeitua do Rio pretende promover a qualidade de ensino derrubando a aprovação automática, não deve esquecer de investir na capacitação de professores e valorização do magistério. Presenteá-los com notebooks e verbas para compra de material pedagógico, não basta. É preciso também investir na recuperação da autoestima dos mestres que, em meio à crise de baixos salários e crescente desvalorização profissional, ainda são acusados de incompetentes. Dar apoio aos professores significa implantar serviço médico nas escolas, além de fonoaudiólogos e psicólogos. A volta dos   inspetores disciplinadores também vai ajudar muito. Professores de artes, música e educação física são imprescindíveis para despertar no aluno suas múltiplas competências.   Além disso,  mexem com a criatividade e  ajudam a disciplinar o indivíduo.  Antes de  reprovar o aluno com baixo rendimento, que tal transformar a escola  em um ambiente propício que o faça aprender ?   

 

 

                                  Maria do Amparo Oliveira é jornalista e professora aposentada pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

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